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Espera

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Aonde está o sol deste mundo poente nas esquinas das mentes ardentes em cima dos muros dos olhos sombrios guardado na vitrine das memórias decadentes ou nos escombros das promessas demolidas arrastado pelas enxurradas da solidão Quem escondeu o sol do meu verão afugentou minhas andorinhas deixou morrer minhas plantações de alegrias perfumadas esperanças, se perderam antes da colheita Levaram o sol sobrou  o frio, a escuridão, ventania, mato seco e chuva fina ondas revoltas, sem cores, sem controle gente "al'dente", perdidos transeuntes gélidos corações Sol roubado, calado, disfarçado de raio de luar noite longa sem dia prá acordar hibernados, camuflados, sentimentos mofados aguardando o sol nascente de uma era em aproximação Maria de Fátima Méres Morais

ALMA

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Cavalos ligeiros Conhecidos forasteiros Cavalgam em círculo Histórias de guerreiros Romances de violeiros Lambuzando de poeira Os sapatos das senhoras Que por eles ousam passar Aflitas cantorias Rua adentro Noite afora Doces e quimeras Copos de madeiras Rindo à toa Bobos Tolos Suspiros cansados Nutridos da coragem Esparramados na mesa Esperam o jantar O ar é frio Denso Consumidor Gritos Lamentos Promessas Ontem, hoje se misturam Plainando no tempo Só não ocupam o mesmo lugar Quietos, solitários Cavaleiros adormecidos Espadas embainhadas Tantas lutas Ganhas ou perdidas Esvaindo-se na estrada Alimento de outros viajantes Sossega a calmaria Tranqüiliza a paciência Abraçados na leitura de um novo começar Maria de Fátima Méres Morais

Filha

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Doce criança vida cheia de esperança coberta de alegria sol de outono linda flor de abril Pequena meiga singela suave e forte são teus cheiros: erva doce, capim cidreira aromas do campo mato molhado canela café melado Manhãs de dezembro guardam sua essência Outubro te aprisiona prá logo te soltar pescadores de pássaros te espreitam a espera de um único deslizar foge ligeira aprendeu a fazer travessias não se deixa enlaçar Multidões te fascinam tanto quanto o mar mergulhada em seus corpos transitas com calma elevas a alma aperfeiçoa o cantar deixou de ser menina o chão de novembro vem te buscar pura confiança será outro o teu caminhar Maria de Fátima Méres Morais

Maiêutica

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Passou como chuva de verão nem percebi lembro quando brincávamos de faz de conta e acreditávamos que tudo era verdade a nossa própria verdade inventada e reinventada tudo era prá sempre o nosso sempre que não podia ser mensurado eterno como choro de criança belo, efêmero, sufocante transitávamos espaços desconcertantes Eu, Primavera depois de alguns Invernos encontrei o Verão e como fruto do nosso amor nasceu Outono a filha esperada tão bela, cálida, frágil e encantadora chegou tomando conta da casa apoderando-se de nossas vidas Sonhos e desejos laços fortes nos une levando-me a conclusão que a vida de mãe é todo dia um parto Outono hoje é forte, imponente semelhante às Princesas em seus castelos dourados o que me faz lembrar que há muitos partos a me esperar até que a Princesa se transforme numa sábia Rainha Não reclamo ao contrário, agradeço privilégio imerecido ter a mesma função do Criador a Maiêutica é uma missão...

Reflexão

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Eu vou contar prá voces aonde mora a Senhora Vaidade ela vive bem faceira lá na rua da Ilusão nada teme é fulgaz imponente e charmosa não dá bola prá ninguém Só não sabe a presunçosa que do lado de lá da rua mora a Dona Saudade arrependida e tristonha bons conselhos lhe daria se a pretenciosa aceitasse e quem sabe algum dia até o nome mudaria para Senhora Humildade Maria de Fátima Méres Morais

Senhor

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Riqueza imensurável entranháveis belezas solução harmonia dança vozea a poesia esvazia o cantar Meninos, meninas pedras soltas no ar poetas ou loucos somente teu rosto ilumina o olhar Senhor dos destinos sonhos solidões impuros esfarrapados amordaçados corações Relembrar que foi teu o maior e único sacrifício não é necesário nenhum outro processo constante sorver sua vida me faz continuar Maria de Fátima Méres Morais

Marionetes

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Aí que triste são as guerras dos que lutam inocentes não percebem a camuflagem dos que usam suas mentes perdidos no acreditar deixaram a casa dos questionamentos agarrando-se ao medo de pensar poluindo a bioética revirando a realidade e as responsabilidades ruminando limites no santuário dos excessos como adorar a  deusa das Justas Medidas desigualando-se do igual cedendo as fontes legitimadoras do ter pelo ter no ocaso ser um pertencimento embrionado ao desvinculado buscando opções sem escolhas na escola múltipla dos afazeres des-significados apropriando-se dos ninhos da eloquência amarrados aos véus da mortalha do consumismo sorriso calado olhar aficionado pendularmente levados Maria de Fátima Méres Morais