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POETA

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De repente poeta trocando em miúdos os mapas das estrelas e do coração Flecheira de almas distraídas, carentes cobertas de fantasias Palavras escorrendo entre os dedos esmagadas ao vento pisadas no tempo engarrafada guardada envelhecida Mercado exigente produz seus amantes eternos anseios de falsos senhores compradores, cambistas valorando até as migalhas do líquido enebriante Cálida, solística tênue loucura assombrada melancolia meneios da vida esmerilho constante sopro de vulcão. Por: Maria de Fátima Méres Morais

ANDARES

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Por onde andei Rostos, sorrisos que nunca esqueci Toques antigos adornos existenciais Palavras de inverno ou verão como antes, como sempre persistentes, surpresas, variações mal-ditas ou bem-ditas cicatrizes, afagos do destino ramos de fitas presas de sonhos Distantes olhares inacabados, guardados aguardando despertar Dispersos sentidos avessados de abraços molhados doces ilusões campos minados guardiões de torres encantadas debruçadas sobre mares exímias aldeãs escombradas Fagulha iluminada clareadora, ofuscante In-valoradamente transpassa apegada ao seu algoz Recortes esparramados catalisados, rejetos da alma Pálidas sombras sublimes, irreversíveis desdobramentos constantes nos perfis da vida. Por: Maria de Fátima Méres Morais

Espera

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Aonde está o sol deste mundo poente nas esquinas das mentes ardentes em cima dos muros dos olhos sombrios guardado na vitrine das memórias decadentes ou nos escombros das promessas demolidas arrastado pelas enxurradas da solidão Quem escondeu o sol do meu verão afugentou minhas andorinhas deixou morrer minhas plantações de alegrias perfumadas esperanças, se perderam antes da colheita Levaram o sol sobrou  o frio, a escuridão, ventania, mato seco e chuva fina ondas revoltas, sem cores, sem controle gente "al'dente", perdidos transeuntes gélidos corações Sol roubado, calado, disfarçado de raio de luar noite longa sem dia prá acordar hibernados, camuflados, sentimentos mofados aguardando o sol nascente de uma era em aproximação Maria de Fátima Méres Morais

ALMA

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Cavalos ligeiros Conhecidos forasteiros Cavalgam em círculo Histórias de guerreiros Romances de violeiros Lambuzando de poeira Os sapatos das senhoras Que por eles ousam passar Aflitas cantorias Rua adentro Noite afora Doces e quimeras Copos de madeiras Rindo à toa Bobos Tolos Suspiros cansados Nutridos da coragem Esparramados na mesa Esperam o jantar O ar é frio Denso Consumidor Gritos Lamentos Promessas Ontem, hoje se misturam Plainando no tempo Só não ocupam o mesmo lugar Quietos, solitários Cavaleiros adormecidos Espadas embainhadas Tantas lutas Ganhas ou perdidas Esvaindo-se na estrada Alimento de outros viajantes Sossega a calmaria Tranqüiliza a paciência Abraçados na leitura de um novo começar Maria de Fátima Méres Morais

Filha

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Doce criança vida cheia de esperança coberta de alegria sol de outono linda flor de abril Pequena meiga singela suave e forte são teus cheiros: erva doce, capim cidreira aromas do campo mato molhado canela café melado Manhãs de dezembro guardam sua essência Outubro te aprisiona prá logo te soltar pescadores de pássaros te espreitam a espera de um único deslizar foge ligeira aprendeu a fazer travessias não se deixa enlaçar Multidões te fascinam tanto quanto o mar mergulhada em seus corpos transitas com calma elevas a alma aperfeiçoa o cantar deixou de ser menina o chão de novembro vem te buscar pura confiança será outro o teu caminhar Maria de Fátima Méres Morais

Maiêutica

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Passou como chuva de verão nem percebi lembro quando brincávamos de faz de conta e acreditávamos que tudo era verdade a nossa própria verdade inventada e reinventada tudo era prá sempre o nosso sempre que não podia ser mensurado eterno como choro de criança belo, efêmero, sufocante transitávamos espaços desconcertantes Eu, Primavera depois de alguns Invernos encontrei o Verão e como fruto do nosso amor nasceu Outono a filha esperada tão bela, cálida, frágil e encantadora chegou tomando conta da casa apoderando-se de nossas vidas Sonhos e desejos laços fortes nos une levando-me a conclusão que a vida de mãe é todo dia um parto Outono hoje é forte, imponente semelhante às Princesas em seus castelos dourados o que me faz lembrar que há muitos partos a me esperar até que a Princesa se transforme numa sábia Rainha Não reclamo ao contrário, agradeço privilégio imerecido ter a mesma função do Criador a Maiêutica é uma missão...

Reflexão

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Eu vou contar prá voces aonde mora a Senhora Vaidade ela vive bem faceira lá na rua da Ilusão nada teme é fulgaz imponente e charmosa não dá bola prá ninguém Só não sabe a presunçosa que do lado de lá da rua mora a Dona Saudade arrependida e tristonha bons conselhos lhe daria se a pretenciosa aceitasse e quem sabe algum dia até o nome mudaria para Senhora Humildade Maria de Fátima Méres Morais