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DESEJOS

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Desejo a vocês... Fruto do mato Cheiro de jardim Namoro no portão Domingo sem chuva Segunda sem mau humor Sábado com seu amor Filme do Carlitos Crônica de Rubem Braga Viver sem inimigos Filme antigo na TV Ter uma pessoa especial E que ela goste de você Música de Tom com letra de Chico Frango caipira Ouvir uma palavra amável Ter uma surpresa agradável Ver a Banda passar Noite de lua cheia Rever uma velha amiz ade Ter fé em Deus Rir como criança Ouvir canto de passarinho. Sarar de resfriado Escrever um poema de Amor Que nunca será rasgado Formar um par legal Tomar banho de cachoeira Aprender um nova canção Esperar alguém na estação Queijo com goiabada Pôr-do-Sol na roça Uma festa Um violão Uma seresta Recordar um amor antigo Ter um ombro sempre amigo Bater palmas de alegria Uma tarde amena Calçar um velho chinelo Sentar numa velha poltrona Tocar violão para alguém Ouvir a chuva no telhado E muito carinho meu Com poemas de Drummond Por: Maria de Fátima ...

ACORDAR

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Acordar!!!!!!!!!!!! Um canto em minha mente Acordei dormente cheia de sons e cores plena de seus sabores Agora sei menos com sensações de mais Pensando em tudo Pensando em nada Murmúrios fluentes Vou sair para olhar Vestida de coragem A procura de ilusão Sempre lembrando de não me esquecer que amanhã está tão distante quanto ontem, Só o hoje está ao meu alcance Vou aproveitá-lo sem desperdiçar Beber até sua última gota sombrear-me de alegria esparramada sobre os encantos da mais doce chuva despertando meu instinto caçador transmutado em desbravador dos mundos descobertos cobertos de outros mundos cíclicos ou ascendentes  insólitos ou  corriqueiros paralelos ou perpendiculares complexos, inatingíveis imperceptíveis, ínfimos, estratosféricos Embriagar-me do dia E me deixar ficar. Por: Maria de Fátima Méres Morais

POETA

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De repente poeta trocando em miúdos os mapas das estrelas e do coração Flecheira de almas distraídas, carentes cobertas de fantasias Palavras escorrendo entre os dedos esmagadas ao vento pisadas no tempo engarrafada guardada envelhecida Mercado exigente produz seus amantes eternos anseios de falsos senhores compradores, cambistas valorando até as migalhas do líquido enebriante Cálida, solística tênue loucura assombrada melancolia meneios da vida esmerilho constante sopro de vulcão. Por: Maria de Fátima Méres Morais

ANDARES

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Por onde andei Rostos, sorrisos que nunca esqueci Toques antigos adornos existenciais Palavras de inverno ou verão como antes, como sempre persistentes, surpresas, variações mal-ditas ou bem-ditas cicatrizes, afagos do destino ramos de fitas presas de sonhos Distantes olhares inacabados, guardados aguardando despertar Dispersos sentidos avessados de abraços molhados doces ilusões campos minados guardiões de torres encantadas debruçadas sobre mares exímias aldeãs escombradas Fagulha iluminada clareadora, ofuscante In-valoradamente transpassa apegada ao seu algoz Recortes esparramados catalisados, rejetos da alma Pálidas sombras sublimes, irreversíveis desdobramentos constantes nos perfis da vida. Por: Maria de Fátima Méres Morais

Espera

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Aonde está o sol deste mundo poente nas esquinas das mentes ardentes em cima dos muros dos olhos sombrios guardado na vitrine das memórias decadentes ou nos escombros das promessas demolidas arrastado pelas enxurradas da solidão Quem escondeu o sol do meu verão afugentou minhas andorinhas deixou morrer minhas plantações de alegrias perfumadas esperanças, se perderam antes da colheita Levaram o sol sobrou  o frio, a escuridão, ventania, mato seco e chuva fina ondas revoltas, sem cores, sem controle gente "al'dente", perdidos transeuntes gélidos corações Sol roubado, calado, disfarçado de raio de luar noite longa sem dia prá acordar hibernados, camuflados, sentimentos mofados aguardando o sol nascente de uma era em aproximação Maria de Fátima Méres Morais

ALMA

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Cavalos ligeiros Conhecidos forasteiros Cavalgam em círculo Histórias de guerreiros Romances de violeiros Lambuzando de poeira Os sapatos das senhoras Que por eles ousam passar Aflitas cantorias Rua adentro Noite afora Doces e quimeras Copos de madeiras Rindo à toa Bobos Tolos Suspiros cansados Nutridos da coragem Esparramados na mesa Esperam o jantar O ar é frio Denso Consumidor Gritos Lamentos Promessas Ontem, hoje se misturam Plainando no tempo Só não ocupam o mesmo lugar Quietos, solitários Cavaleiros adormecidos Espadas embainhadas Tantas lutas Ganhas ou perdidas Esvaindo-se na estrada Alimento de outros viajantes Sossega a calmaria Tranqüiliza a paciência Abraçados na leitura de um novo começar Maria de Fátima Méres Morais

Filha

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Doce criança vida cheia de esperança coberta de alegria sol de outono linda flor de abril Pequena meiga singela suave e forte são teus cheiros: erva doce, capim cidreira aromas do campo mato molhado canela café melado Manhãs de dezembro guardam sua essência Outubro te aprisiona prá logo te soltar pescadores de pássaros te espreitam a espera de um único deslizar foge ligeira aprendeu a fazer travessias não se deixa enlaçar Multidões te fascinam tanto quanto o mar mergulhada em seus corpos transitas com calma elevas a alma aperfeiçoa o cantar deixou de ser menina o chão de novembro vem te buscar pura confiança será outro o teu caminhar Maria de Fátima Méres Morais