domingo, 16 de abril de 2017

RECICLANDO




A história nunca é
como é em nossa memória
Não é feita de começos e fins
Mas de ciclos menores,  maiores, estreitos, largos
acumulados em pontos distintos,
formando símbolos,
criando linguagens:
do corpo, da alma, do espírito,
da nossa vida e de outras vidas
Aos poucos percebemos que o tempo não é relevante
somos forjados do resultado
das intercessões entre os ciclos e os ciclos dos ciclos dos nossos ciclos
e de todos os ciclos que nos antecede, precede, perpassa
Por ser cíclica nossa história
não é linear nem constante
é imprecisa, errante
se contrai e se expande
Indo e vindo através dos ciclos
Refletimos, pensamos, planejamos...
Muitas trocas acontecem dia a dia,
apesar das escolhas,
é sofrido chegar ao limiar das decisões,
conflituosas ou não
É a luta do ser para ser, para ter, para pertencer
São as grandes ou pequenas coisas
que levamos a vida inteira para entender
O que não fazia sentido, agora faz todo o sentido
O que eu não queria,  agora é tudo que quero
Um abraço, uma música, um cochilar
uma companhia, um papo corriqueiro
um toque, um beijo, uma oração, o cheiro do lar.



Por: Maria de Fátima Méres de Morais

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