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Mostrando postagens de Novembro, 2010

Esperança

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Esperança menina
saiu a passear
nas asas de um colibri
vestida de marfim
cheirando a alecrim

Vou voar
preciso te alcançar
não sei aonde estás
onde andará meu bem

Caminhei em rios
nuvens
risos de criança
cantigas da infância
rua de jasmim
terras sem fim

Não te achei
por onde eu andei
só te encontrei em mim

Maria de Fátima Méres de Morais

Dupla Face

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Vida Atriz
Eloquente
exibe diariamente inúmeras faces
múltiplos matizes a todos surpreende com seus finais nem sempre felizes
Esperta
Sorrateira
Ardilosa camuflada de sofismas traz a platéia cativa
envolvida em seus enigmas
Persistente
Vaidosa
Misteriosa
quem quizer que venha assistir o que ela vai encenar
Casa lotada público sempre garantido a Vida segue voraz famosa no Anfiteatro da Existência sua peça nunca sai de cartaz
A quem diga que um dia presa nas armadilhas do Tempo a Vida vai se entregar Será um Conto de Fadas ou talves uma Tragédia Grega O que irá se revelar??! Até lá não me atormento sei que nunca vou deixá-la a Vida é tudo o que tenho ainda que seja por um breve momento

Maria de Fátima Méres de Morais

Rua Só

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Rua Nua
Solitária
Enfumaçada
Prisioneira
Desprezada
Bandida

            Do seu Tesouro perdida:
                        velhos
                        jovens
                        crianças
                             mulheres
                             homens
                             animais
                                  famílias
                                  amigos
                                  namorados
                                      peregrinos
                                      artistas
                                      ambulantes
                                      viajantes
Triste Rua de então
segue enfrente
consciente

Saudosa das cantorias revoadas de meninos
serenatas
jogos
rodas
bolas
pipas
peão

conversas de cumadres
desfiles de donzelas
banquinhos no portão


bondes
cavalos
lampião

brincadeiras
casamento romaria confraria
festança são relíquias distantes guardadas na lembrança           Calçadas vazias
           trajadas de agonia      …

O Santo e o Profano

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O tempo não tem pressa
aonde o mar arrebenta
a gente se perde
ouvindo o murmúrio das ondas
pés molhados de espuma
cabelos pingando de areia
corpo salgado
suado
poente
a se esquentar

Cheiro de gentes
pensar
intuir
perceber
reinventar a vida
costurar feridas
remendar utopias
sofismas da razão
canduras de poeta
correr
fujir das incertezas
já não vejo com tanta clareza
tateio sombras do coração

Nas paredes do destino
rabisco alegrias
desenho esperanças
sussurro segredos
registro gentilezas
gestos livres emanados da compreensão

Quem sou Eu?
porque mereço atenção?
sou poeria
água derramada no chão
ou um simples capricho da ilusão
prisioneira das minhas próprias guerras
travadas na loucura da procura
em busca de respostas
dos vazios e da solidão

Contradição
ironia
mergulhando em águas profundas
achei tua companhia
laços
ternura
pura vida
festa
risos
abraços
sonetos
solfejos da emoção
aconchego
mais um pródigo a voltar

Maria de Fátima Méres de Morais

Pedras

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Pedras de contar
memórias do tempo
carregam histórias
distantes
longínguas
desconhecidas
marcas da vida
boca do universo
falam sem falar

Pedras de construção
estão em todo lugar
casas
prédios
praças
ruas
avenidas
cidades
rios
florestas
montanhas
cavernas
desertos
mares
vales
lagoas
planetas
estrelas
constelações

Pedras de sustento
brincar
atirar
cozinhar
abrigar
enfeitar
andar
deitar
demarcar
isolar
proteger
conter

Pedras de cultuar
lamento
lápide
idolatria
santuário
instrumento de matar
acusação
condenação
imolação
adoração
consagração
altar

Pedras vivas
eternas
alicerces
colunas
Jesus Pedra Angular

Maria de Fátima Méres de Morais

Saudade

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E lá vou eu na madrugada
Caçando moinhos
navegando nuvens
voando rios
correndo árvores
amiga da estrada


respirando manhãs de rosas sonhando estrelas  passarinho
Cavalgando ventos
pescando montanhas
plantando paixões
vendendo solidão
comprando ilusões

banho de sol cerejeira vestido  folhas de ninho
Cantando alma falando coração pensando vida eternamente perdida nunca esquecida

Maria de Fátima Méres de Morais