ARTIGOS


Sabina Spielrein e o conceito de Berçário Branco

Psicanalista revolucionou e foi pioneira no desenvolvimento de um modelo de educação infantil libertário na Rússia


Muito se fala sobre os filósofos desde o surgimento da Filosofia. E onde estão as filósofas? Elas existem em menor número por conta do preconceito histórico, mas acabam sendo pouco conhecidas. Com trabalhos e pesquisas belíssimas, precisam ser reconhecidas pela colaboração ao desenvolvimento do conhecimento. No universo da Psicologia também é comum ouvir falar de forma preponderante de nomes como Freud, Jung e Lacan. E as mulheres que foram pioneiras na Psicanálise?


Tão importante quanto reconhecer o papel das mulheres no avanço da ciência, também é importante defender um maior equilíbrio entre os dois gêneros. Afinal de contas, dividir e criar preconceitos no campo dos avanços intelectuais não vai acrescentar nada ao desenvolvimento de soluções para os problemas enfrentados por toda a sociedade. Nesse sentido, cabe falar de uma mulher pioneira no universo da medicina psiquiátrica: ela se chama Sabina Spielrein. Os “estudos” de Sabina começaram logo na sua própria adolescência, quando a mesma desenvolveu um problema de saúde que exigiu cuidados psiquiátricos. O transtorno na saúde de Spielrein aconteceu logo após a morte de sua irmã. O fato abalou de sobremaneira a saúde da futura psicanalista. De origem russa, Sabina acabou sendo levada pelos pais, em 1904, para ser tratada em Zurique. O médico que a tratou na Clínica Psiquiátrica de Burghölzli foi o psicanalista Carl Jung, discípulo do pai da psicanálise, Sigmund Freud.
Depois de curada, revolucionou a educação infantil russa

Durante o tratamento com Jung, Sabina terminou por se apaixonar pelo médico. Este, porém, era casado. O envolvimento não foi adiante, mas Sabina conquistou a cura de seus problemas de saúde e surpreendeu a todos quando decidiu cursar Medicina e se dedicar aos estudos da Psicanálise. Depois de formada, contribuiu com o tratamento de alguns pacientes do próprio Freud.
Em 1914, no começo da I Guerra Mundial, Sabina foi morar na Suíça para também desenvolver as suas pesquisas e teses na prática clínica. A médica atuou em Genebra, onde contribuiu com os estudos do Instituto Jean-Jacques Rousseau, tendo se destacado no tratamento de autistas e nas pesquisas sobre aprendizado infantil.
No ano de 1923, Sabina retornou para a Rússia e iniciou um trabalho pioneiro no Instituto Psicanalítico de Moscovo. Foi chefe do Departamento de Psicologia Infantil da Universidade de Moscovo e, com o apoio da colega Vera Schmidt, formou uma espécie de Jardim de Infância também conheci
do como Berçário Branco, pois o espaço era mobiliado e decorado com a cor branca.



Sabina realizou seu sonho, pois o Berçário Branco defendia um maior amadurecimento infantil, baseado especialmente no pensamento crítico e analítico por parte das crianças. Ela incentivava o desenvolvimento da criança com metodologias que tratavam de possíveis transtornos psicológicos de uma forma lúdica e esclarecedora. Dois filmes tratam um pouco desse universo criado por Sabina e exploram mais detalhes de sua vida: Jornada da Alma e Método Perigoso.
Infelizmente, por conta do autoritarismo do líder russo Stalin, o Berçário Branco foi destruído depois de três anos em funcionamento. Porém, os estudos e os diários com as anotações de Sabina possibilitaram importantes descobertas do conhecimento deixado pela psicanali
sta.

Paciente, discípula e amante


Como Sabina Spielrein seduziu Carl Jung e influenciou a criação da psicanálise Genebra, outubro de 1977. Um maço de documentos resgatados nos porões do Palácio Wilson, que no passado abrigara o Instituto de Psicologia, trouxe à luz detalhes de uma das tramas mais fascinantes do período nascente da psicanálise. Foram encontradas 46 correspondências do psicólogo suíço Carl Jung, 21 do vienense Sigmund Freud e 12 da até então pouco conhecida Sabina Spielrein – além de partes de seu diário íntimo entre 1909 e 1912. Sabina era uma espevitada morena de porte mignon, que viria a participar do palco da nascente disciplina ao lado de seus dois principais expoentes.

Neta e bisneta de rabinos e filha de um bem-sucedido comerciante de Rostov-On-Don, Sabina, aos 19 anos, viajara para Zurique em 1904 para inscrever-se na faculdade de medicina. Em vez disso, foi internada no dia 17 de agosto no Hospital Burgholzli, acometida de um surto de histeria aguda. Passou a ser submetida a tratamento ministrado pelo jovem médico Carl Jung, de 29 anos, que a essa altura já se correspondia com Freud, então com 48. Num relatório a Freud, Jung afirmou que, quando criança, a paciente, que era assaltada por medos noturnos, se excitava sexualmente com as surras aplicadas pelo pai – um homem de humor instável, tirânico e depressivo, que em alguns momentos ameaçava suicidar-se. Bastava olhar para uma mão que lembrasse a do pai para que Sabina se masturbasse. Jung não deixou de notar a aguçada inteligência da paciente, que aos 7 anos já era fluente em francês e alemão e, mais tarde, inglês.

A relação entre Jung e Sabina evoluiu à medida que o tratamento avançava. Primeiro, ela o ajudou a monitorar os testes de associação de palavras, um dos experimentos iniciais de Jung no campo de sua futura psicologia analítica. “É difícil formular um parecer sobre o estado mental de Sabina Spielrein”, escreveu o psicólogo italiano Aldo Carotenuto, autor de Diário de uma secreta simetria, obra em que se debruça sobre a correspondência. “A hipótese mais provável é que ela tenha tido um surto psicótico rapidamente controlado pela intervenção de Jung.”

Ao entrar para a faculdade de medicina, Sabina mudou-se para um apartamento nas proximidades. A relação com seu terapeuta converteu-se em amizade com coloração romântica até se tornarem amantes. Em passeios de barco e longas caminhadas pelos jardins de Zurique, Jung lhe confidenciava seus temores e expectativas em relação às metas de sua vida e às oportunidades que se descortinavam à comunidade internacional de analistas. “Naquela época, não haviam sido dados limites ainda”, afirma Deirdre Bair, biógrafa de Jung. “Os maridos analisavam as mulheres, analistas e pacientes se envolviam livremente em relações sociais e sexuais.” Qualquer apressado julgamento moralista desses “affaires” deve considerar que, àquela altura, a psique ainda era um território desconhecido para os próprios pioneiros da psicanálise.
Ao contrário de Freud, que aos 40 anos já se conformara em “esperar a morte”, Jung, casado com uma herdeira milionária, ansiava por uma amante que pudesse aceitar que o amor “fosse seu próprio fim, em vez de um meio para um fim”. Paul Stern, outro biógrafo, relatou o magnetismo de Jung por todo tipo de mulheres neuróticas, que se sentiam incompreendidas. Não demorou muito para que o caso com Sabina viesse a público, na forma de um escândalo amplificado pelas fofocas dos estudantes de medicina.
O doutor J. e as mulheres (Foto: reprodução (6))


Sabina proclamava seus sentimentos a quem quisesse ouvir e, provavelmente após uma briga com Jung ou durante uma de suas crises, acusava-o de se recusar a ser pai de seu futuro filho, embora não estivesse grávida. Como se não bastasse, chegou à senhora Spielrein, a mãe de Sabina, uma carta anônima pedindo que viesse resgatar a filha antes que Jung a arruinasse. Segundo a biógrafa Deirdre, as suspeitas a respeito de quem enviou a carta recaem sobre Emma, mulher de Jung, que sempre recusou uma aproximação com Sabina e em várias ocasiões esteve perto de pedir o divórcio ao marido infiel. A senhora Spielrein cobrou satisfação de Jung, a quem considerava o salvador da filha. Por carta, ele se limitou a explicar que, na relação de amizade entre homem e mulher, existia sempre a possibilidade de algo mais ocorrer.
Esse enredo que associa um folhetim de paixão, traição e escândalo à nascente psicanálise e seus protagonistas foi explorado pelo cineasta canadense David Cronenberg em Um método perigoso, que estreia no Brasil nesta semana. Com Keira Knightley encarnando uma histriônica Sabina, Viggo Mortensen no papel de Freud e Michael Fassbender como um charmoso Jung, o roteiro segue com fidelidade biográfica os passos de seus personagens. Os lances que se desdobram à descoberta do romance formam uma cadeia de reações perfeitamente humanas, o que confere ao caso ensinamentos preciosos sobre o fenômeno da transferência e contratransferência envolvendo analisando e analista, e que Freud dizia ser um dos perigos da atividade psicanalítica. Por transferência, entendam-se as imagens e os afetos inconscientes que o paciente projeta no analista ao longo da análise, capazes de gerar vínculos emocionais positivos ou negativos. Contratransferência é o mesmo fenômeno que ocorre com o analista em relação ao paciente.


Numa carta a Freud, sem citar o nome de Sabina, Jung se queixa de uma paciente que “acabara de profanar a amizade da maneira mais mortificante”. Sabina passa a escrever cartas a Freud em que expõe sua versão do tumultuado relacionamento. Freud foi informado que certa vez, numa discussão, Sabina agarrou uma faca, Jung a desarmou e ela o esbofeteou. Desde o início, ele se recusou a atuar como mediador das desavenças do casal. Aconselhou Sabina a suprimir sentimentos negativos a respeito de seu relacionamento próximo com Jung. Naquele período, Freud ainda via Jung como um promissor colaborador, espécie de futuro príncipe da psicanálise. Anos depois os dois romperiam, um tanto por divergências científicas, outro por incompatibilidade de gênios. Jung não queria encarnar o papel de discípulo conformado. É interessante observar que, enquanto Freud viveu cercado por uma confraria de discípulos vienenses, a maioria de ascendência judaica, Jung encontrou nas mulheres companhia para sua viagem ao inconsciente. Toni Wolff, a amante que sucedeu Sabina, Barbara Hannah, Aniela Jaffe, Yolanda Jaccobi, Marie-Louise von Franz e Emma Jung, com quem se casou, perfilam-se na linha de frente da corte junguiana.
A aproximação de Sabina com Freud deu-se depois que ela se graduou na faculdade de medicina, em 1911, com uma tese intitulada O conteúdo psicológico de um caso de esquizofrenia, sob orientação de Jung. Sabina se mudou de Zurique para Viena, onde conheceu Freud e passou a participar dos seminários de quarta-feira, debates em que impressionou o mestre e seus discípulos. O segundo trabalho de Sabina, A destruição como causa do nascimento, influenciou um dos focos centrais de Freud e fez Sabina ser lembrada como precursora do instinto de morte. “Nesse segundo texto, ela antecipava, quase palavra por palavra, os princípios de Freud em Para além do princípio do prazer, afirma Carotenuto. Sua influência sobre Jung foi muito além da teoria. Em suas memórias, Jung descreve seu confronto com o inconsciente e a certa altura refere-se à voz de uma paciente, “uma inteligente psicopata que tinha por mim uma forte transferência e que estava impressa em minha mente como uma figura viva”. O caso também é citado em A psicologia da transferência.
No início da década de 1920, casada com um médico, Sabina retornou a sua cidade natal na Rússia. Ali, se juntou ao movimento da psicanálise, ajudando a difundir a nova disciplina até 1936, quando ela foi posta na ilegalidade pelos bolcheviques. Entre as poucas informações obtidas sobre Sabina no período há o fato de que ela organizou um jardim de infância com a intenção de oferecer uma vida melhor às crianças com problemas em seus lares. Em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, Sabina e suas duas filhas foram mortas por nazistas. O psicólogo e escritor austríaco Bruno Bettelheim foi quem provavelmente melhor sintetizou o papel exercido por Sabina Spielrein em relação à dupla de monstros sagrados da psicologia do século XX: “Enquanto Freud e Jung permitiram que seus impulsos destrutivos os afastassem um do outro, Spielrein defendeu até o fim o impulso criativo que, ela esperava, uniria os dois em um empreendimento comum”.




Estamos formando uma geração de egoístas, egocêntricos, alienados e inconsequentes

Isabel Cristina Gonçalves (REDELITORAL NORTE SP)

Acabaram as festas, janeiro começou e em breve o ano letivo ganhará vida. Novos calouros ávidos por uma “nova” vida de descobertas desembarcarão em Adamantina. Nem faz um ano uma garota, em sua primeira semana de aula na faculdade, teve suas pernas queimadas em um dia de acolhimento de calouros. Jovem, em seus 17 anos e feliz por realizar o sonho de ingressar em uma faculdade. Mas em um dia que deveria ser de festa foi interceptada por “colegas” veteranos. Foi pintada com tintas e esmalte até que sentiu que jogaram um líquido em suas pernas. Nada notou até que a água da chuva, por ironia, em lugar de lavar e limpá-la provocou uma reação química que resultou em queimaduras de terceiro grau em suas duas pernas. O mesmo aconteceu com uma colega de turma que teve as pernas queimadas e outro rapaz que correu o risco de perder a visão. O líquido? Uma provável mistura de creolina e ácido!
Casos amplamente noticiados pela imprensa local, regional e nacional. Mas relatos contam mais sobre este dia trágico, como inúmeros casos registrados de coma alcoólico, além de meninas que tiveram suas roubas rasgadas e sofreram toda uma série de constrangimentos.
Fatos como estes contribuem para nos trazer de volta a realidade e, guardadas as devidas proporções, ilustra que vivemos sim em um país onde a “barbárie” ganha força e impera em diversos núcleos de nossa sociedade e se alastra com uma rapidez de rastilho de pólvora. Casos se repetem em diversos estados e cidades, o caso dos calouros da FAI de Adamantina não é e nem será o último, quantas tristes histórias já foram relatadas, como a do o jovem morto atirado em uma piscina da USP, amanhã mais um gay ou um negro, ou mais uma mulher que não se “deu o valor” e andou por aí exibindo seu corpo.
Vivemos em uma sociedade de alienados, sujeitos que não conseguem sequer interpretar um texto, nossas crianças são “condicionados nas escolas” jamais educados. Infelizmente não há cultura neste país da desigualdade. Parece que perdemos a capacidade de raciocinar, de entender o contexto e complexidade de tudo os que nos cerca. Ninguém discute com seriedade o que está levando a nossa sociedade a viver na idade das trevas.
O apresentador Chico Pinheiro do Bom dia Brasil, revoltado com os trotes violentos, afirmou que estes alunos deveriam voltar para o ensino fundamental. Discordo radicalmente dele, estes alunos deveriam voltar para o seio de suas famílias e lá, sim, receber educação básica, educação para a vida.
Os pais estão terceirizando a educação de seus filhos e, em um mundo sem tempo e repleto de culpa delegam a educação de seus filhos a professores que não podem ser responsabilizados e muito menos tem competência e formação para isso. Professores são facilitadores da inteligência coletiva, pais são os educadores na/da/para a vida!
Nos dias de hoje o tempo passa rápido demais. Muito rápido, tão rápido que nem dá tempo de tentar entender e processar o que foi vivido nas poucas horas atrás.
A molecada acorda cedo, vai pra escola. Chega em casa, almoça ao mesmo tempo que assiste TV, atualiza a conversa no WhatsApp, checa sua ‘TimeLine’ no Facebook, curte páginas dos amigos, coloca em dia as curtidas do Instagram e comenta de forma superficial - pois não compreende o contexto e complexidade - as reportagens da TV. Se perguntar quem dividiu a mesa com eles (os pais também estão brincando com o celular) é possível que nem tenham se dado conta, pois estão mais próximos dos amigos “virtuais” do que daqueles que compartilham o mesmo espaço, a mesma mesa e a mesma comida com eles. Mas o mais trágico nisso tudo é que os pais, também, estão sentados à mesa assistindo TV, atualizando a conversa no WhatsApp, checando sua ‘TimeLine’ no Facebook, colocando em dia as curtidas do Instagram e comentando de forma superficial as reportagens da TV.
Depois do almoço os pais irão para o trabalho e os filhos para a aula de computação, inglês, academia...
À noite ficarão no quarto em frente ao note navegando por sites que jamais se lembrarão, conversando pelo skype, jogando on line, até a hora de dormir.
No final de semana estes jovens dormirão a maior parte do tempo para se preparar para a noite, para a balada, onde pegarão todos e todas e beberão até cair.
Estes jovens entram muito cedo em sua vida pretensamente “adulta”. Já “brincam” de papai e mamãe antes mesmo de brincar de casinha. Estes jovens são lançados da infância, cada vez mais curta, direto para a vida “adulta”, passando sem piscar pela adolescência.
Qual estrutura e base estes jovens terão para superar conflitos pessoais? Comportam-se como adultos aos 13, 14, 15 anos e, em muitos casos são tratados como adultos, mão não são adultos, são crianças e adolescentes que não sabem absolutamente nada da vida, mas são cobrados como se soubessem de tudo e pior, acreditam que sabem sobre tudo. Eles querem ser aceitos, infelizmente querem ser aceitos em um mundo irreal de aparências!
Nesse “nosso” mundo do “parecer”, do “fake”, do consumo do corpo perfeito, da mentira perfeita, do dinheiro a qualquer custo, do consumir e exibir, da exposição sem limites, da falsa propaganda que vende vidas “perfeitas” somos “forçados” a fazer parte dessa sociedade de “mentirinha”.
Na sociedade do consumo do corpo perfeito, da vida perfeita, do ser perfeito, não existe espaço pra “ser humano”, não existe lugar “para sermos quem somos”, aqueles que exibem suas imperfeições, pois o imperfeito não cabe na aparência perfeita do mundo da mentira.
Todos nós queremos fazer parte de algo, ser parte de algo. Principalmente quando somos jovens. Nossa turma é nossa razão de ser e estar no mundo. Comportamo-nos como tribos, somos territorialistas e, fazer parte deste “algo” nos confere identidade. E aí para fazer parte desse mundo, o jovem segue a turma, mesmo em muitos casos, sem saber por que está fazendo isso, mesmo sabendo que muitas coisas que fazem são erradas, vale a pena correr o risco para “ser” parte da turma!
E neste mundo, empoeirado, intenta-se forçar o sujeito a aderir sem contestação ao padrão de ser e estar neste “mundo”, reduzindo sublimes e maravilhosas peculiaridades e particularidades, ou seja, nossas magníficas diferenças, em uma uniformidade que se encaixa na perfeita adequação a uma sociedade tamponada, uniforme, opaca, moralista, hipócrita. É a construção de um mundo baseado em mentiras e sem alicerce.
As inquietudes de nossa alma deveriam ser tratadas em nossas relações cotidianas, primeiro no seio carinhoso da família, depois nas escolas, nos relacionando com os professores e com os colegas de aula, com os amigos e também com os inimigos, com os namorados, patrões... Vivendo nossas experiências boas e más, aprendendo a entendê-las. Passamos por frustrações a aprendemos a superá-las. Este é o ciclo natural das coisas, é preciso viver para compreender a vida, viver todas as emoções, boas e más, sorrir, chorar, vencer, perder, amar, rejeitar, ser rejeitado, ter amigos, inimigos, construir alianças, quebrá-las... Cabe a família dar o suporte, fornecer o alicerce para que este ser, mesmo em épocas de tempestade, não desmorone. E na convivência cotidiana, construirá seu edifício interno, com janelas, portas, divisórias, que poderá balançar em muitos casos, mas jamais desabar se bem estruturado.
Mas como educar se os pais não têm “tempo” para ajudar estes jovens a construir sua estrutura?
Os filhos não têm “tempo” para escutar o que os pais têm pra dizer, talvez uma conferência familiar pelo Whats ou Skype, quem sabe...
Os amigos não têm todas as respostas
E talvez o mais triste para esta geração
O Google não tem todas as respostas.
Nossos jovens produzem eventos para postar, ser curtido e comentado. Situações são criadas para movimentar e dar liquidez ao “mercado” da popularidade, as “ações pessoais na bolsa virtual” crescem conforme o número de “posts, comments e likes”. Uma sociedade baseada no consumismo, que valora cada ser humano por seus bens de consumo e potencial de exibição do produto, passou a consumir avidamente “vidas”. Vidas são colocadas em exposição, para o deleite do consumidor e regozijo daquele que se expõe, pois quanto mais visto, mais é consumido, assim, ganha popularidade, consequentemente “poder”. Uma sociedade sem amor, sem paz e sem alma.
A alma não está sendo vendida para o diabo, mas sim, depositada em sites de relacionamento e eventos que precisam ser constantemente alimentados para nutrir o mercado. Se não existe um evento, tudo bem, faz-se imagem de si mesmo, pois a imagem é tudo neste mundo baseado no TER, SER não importa, o que vale é PARECER e, para parecer e aparecer é preciso exibir.
É imperativo que estes jovens compreendam que eles NÃO têm o valor do que é “consumido” ou do que consomem em imagens, exposição, “likes”, compartilhamentos e “comments”. O seu valor não é “subjetivo e líquido”, pois este “valor” está na forma como ele se constitui enquanto ser humano real. SER REAL não é nada fácil no mundo “líquido”, mas precisamos tentar, não apenas com os jovens, mas também em relação a nossas vidas, pois creio que se hoje estas moças e moços vivem dessa forma, não são nada diferente de quem os criou, pois nossa sociedade vive de ter e exibir, nossa juventude nada mais é do que reflexo de uma sociedade “adoentada”.
Pois nossas crianças já nascem sem tempo, extremamente competitivas, presas em escolas integrais que garantirão seu “futuro”. E dessa forma continuarão a lubrificar as engrenagens de nossa sociedade doente e “medicada” que confunde saúde com remédios, consumo com qualidade de vida, amor com bens de consumo. Estamos formando uma geração de egoístas, alienados e inconsequentes, que se preocupam mais com sua imagem do que em "ser" humano.
Quando somos jovens, acreditamos que sabemos tudo, que estamos prontos para a vida, mas viver nos ensina que a gente não sabe NADA sobre a vida. Compreender e aceitar que não somos e nunca seremos perfeitos, que simplesmente não sabemos de quase nada e nem temos certeza de tudo, nos torna mais abertos, mais humanos, mais doces, mais amorosos e tolerantes, com nós mesmos e com os outros. Mas para que nossos jovens possam compreender tudo isso, precisamos cria-los para que sejam mais humanos, colaborativos, criativos, transgressores, mas para isso, precisarão ser ensinados que serão alguém, não pela quantidade de bens que possuírem e exibirem, mas sim, por “ser” humano, “ser” como verbo de ação!




Janelas da Alma


"Existe uma crença ancestral de que a visão depende de nós, muito mais do que dependeria das coisas. Exemplo disso é que fechamos os olhos quando não queremos que determinada coisa exista (como um acidente, ou uma traição). Taí o ditado “O que os olhos não vêem o coração não sente” 
(Marilena Chauí )

As pessoas não entram em nossas vidas por acaso, especialmente as pessoas com as quais desenvolvemos relacionamentos íntimos. Quando olhamos para trás podemos lembrar do significado que cada pessoa teve em nossas vidas. 
Com algumas desenvolvemos a capacidade de viver mais intensamente nossas emoções, com outras aprendemos a ter paciência, misericórdia, fidelidade.... 
Também descobrimos e aperfeiçoamos nossos dons e habilidades. As Possibilidades são infinitas. Aprendemos até como Não Ser ou como Não Agir.
Por isso, os encontros, felizes ou desastrosos, são muito importante para desvendar não o outro mas, quem somos e em que direção estamos caminhando. 
Todos nós temos uma "antena" capaz de captar sons e imagens do meio em que vivemos - esta "antena" chama-se insconsciente ou "janelas da alma". Captamos os sons, ruídos e imagens externas, muitas vezes, sem nos darmos conta e eles ficam guardados, verdadeiros tesouros da alma. Mas, é no dia a dia, em nossas vivências diárias, que eles vão sendo elaborados. É peculiar da nossa psique este aproveitamento, pois existe uma forma, um molde geral e o rosto desse molde vai sendo selecionado, pelo nosso insconsciente, de acordo com sua conveniência. 
É comum a projeção no Outro do que é Nosso. Assim, por um caminho reverso, podemos representar o que está em nós usando a imagem do Outro (como se fosse um espelho), mesmo quando não gostamos do que vemos (é um processo do inconsciente). Relacionamentos, mesmo os conflituosos ou dolorosos, podem nos dar dicas excelentes, valiosíssimas, de como conduzir nossos novos relacionamentos. Para que tenhamos a chance, não de não cometer erros mas de, pelo menos, não cometer os mesmos erros.
Como percebemos, fatores externos nos influenciam muito e são responsáveis, na maioria das vezes, por nossa visão de mundo e na blindagem dos nossos verdadeiros sentimentos. O que nos estimula a não demonstrar e nem refletir sobre nossos medos, fragidilidades, incertezas, inseguranças...
Entender que podemos ser medrosos, frágeis, inseguros ... e continuarmos a significar e ser importante para o outro é uma questão difícil de assimilar na realidade da vida. Nem sempre quem encontramos em nossa caminhada está disposto a nos aceitar assim, como de verdade somos. Se outro quer viver apenas relações periféricas, sem profundidade é preciso aceitar e distinguir os tipos de relações : anímico (próprio da alma) ou corporal.
O corpo mascara e usa de personas que não mostra quem somos. Dói muito ostentar, o tempo todo, que somos fortes, seguros de nossas decisões e ações, invencíveis ... Por dentro estamos morrendo e jogando tudo "embaixo do tapete" (inconsciente). Se conscientemente não trabalharmos essas atitudes indesejadas nosso inconsciente nos lembrará, cedo ou tarde, de que quem somos de verdade, o que causará danos em nossa psique e até em nosso físico. A tentativa de solucionar o problema, neste caso, acaba por ser tornar mais danosa do que o próprio problema.
É necessário querer enxergar e, não apenas ver, o outro e, a sí mesmo, sem ilusões e falsas expectativas. Todos deveríamos carregar uma placa: " em construção". Falta muito para o término, na verdade, não sabemos aonde se dará o final desta obra ou se seremos eternamente inacabados ?!
Vale lembrar que apesar de tudo :
"O encontro de duas personalidades é como o contato de duas substâncias quimícas; se houver alguma reação, ambas serão transformadas" (Carl Gustav Jung)


Carl Gustav Jung - Psicologia Analítica
Marilena Chauí - Janela da Alma, Espelho do Mundo in NOVAES, Adauto (org) “O olhar” São Paulo: Cia das Letras, 1998


Içami Tiba- Educação de crianças e adolescentes.Achei esse artigo sobre educação no blog http://yudicerandol.blogspot.com/2009/10/icami-tiba-educacao-de-criancas-e.html e resolvi trazê-lo pro meu cantinho pra perguntar a voces o que acham dele e de seus métodos. Quando estava na faculdade, eu estudava muitos artigos e li alguns livros do Içami Tiba, sempre fui adepta ao "jeito dele de educar um filho", confesso que as vezes acho tão forte e bruto a forma como Ele aplica a disciplina mas nem por isso eu deixo de admirá-lo. 
E vocês, o que acham? Leiam o artigo e me digam. 
Beijos. Recebi de uma amiga algumas frases retiradas da Palestra ministrada pelo médico psiquiatra Dr. Içami Tiba, em Curitiba, 23/07/08. [O palestrante é membro eleito do Board of Directors of the International Association of Group Psychotherapy. Conselheiro do Instituto Nacional de Capacitação e Educação para o Trabalho "Via de Acesso". Professor de cursos e workshops no Brasil e no Exterior.]
Içami Tiba sempre me ajudou na tarefa de pai, professor, cidadão... Leiam as frases retiradas da palestra:
1. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório. Filho é para sempre.
2. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se pode castigar com internet, som, TV, etc.
3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser passar o dia todo em hospital de queimados.
4. É preciso confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro lado, além das testemunhas.
5. Informação é diferente de conhecimento... O ato de conhecer vem após o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem. Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento da prevenção que a camisinha proporciona.
6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as regras da casa. A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai (e nas punições também) e vice-versa. Se o pai determinar que não haverá um passeio, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob pena de criar um delinquente.
7. Em casa que tem comida, criança não morre de fome. Se ela quiser comer, saberá a hora... E é o adulto quem tem que dizer QUAL É A HORA de se comer e o que comer.
8. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem que entender.
9. É preciso transmitir aos filhos a ideia de que temos de produzir o máximo que podemos. Isto porque na vida não podemos aceitar a média exigida pelo colégio: não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos tirar 7,0.
10. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente.
11. A gravidez é um sucesso biológico e um fracasso sob o ponto de vista sexual.
12. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são, mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para fazer uso da droga. A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da idéia. Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve "abandoná-lo".
13. A mãe é incompetente para "abandonar" o filho. Se soubesse fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali, não a respeita.
14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3, 4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.
15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.
16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o vestibular, ele o perderá se for mal na faculdade.
17. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite. Nunca.
18. Se a mãe engolir sapos do filho, ele pensará que a sociedade terá que engolir também.
19. Videogames são um perigo: os pais têm que explicar como é a realidade, mostrar que na vida real não existem "vidas", e sim uma única vida. Não dá para morrer e reviver. Não dá para apostar tudo, apertar o botão e zerar a dívida.
20. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas bater cartão.
21. Pais e mães não podem se valer do filho por uma inabilidade que eles tenham. "Filho, digite isso aqui pra mim porque não sei lidar com o computador". Pais têm que saber usar o Skype, pois no mundo em que a ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível pagarem para falar com o filho que mora longe.
22. O erro mais freqüente na educação do filho é colocá-lo no topo da casa. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um dos elementos. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível que eles. A sociedade pagará o preço quando alguém é educado achando-se o centro do universo.
23. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.
24. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a geladeira, terá que mostrar qual é o consumo (kWh) da que ele indicar. Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto isso (seus supostos luxos) incrementará o gasto final.
25. Dinheiro "a rodo" para o filho é prejudicial. Mesmo que os pais o tenham, precisam controlar e ensinar a gastar.






CORAÇÃO FERIDO: A IRRACIONALIDADE DA RAZÃO


Leonardo Boff


Não estamos longe da verdade se entendermos a tragédia atual da humanidade como o fracasso de um tipo de razão predominante nos últimos quinhentos anos. Com o arsenal de recursos de que dispõe, a humanidade não consegue dar conta das contradições, criadas por ela mesma. Já analisamos nestas páginas como se operou a partir de então a ruptura entre a razão objetiva (a lógica das coisas) e a razão subjetiva (os interesses do eu). Esta se sobrepôs àquela a ponto de se instaurar como a exclusiva força de organização histórico-social.
Esta razão subjetiva se entendeu como vontade de poder e como dominação sobre pessoas e coisas. A centralidade agora é ocupada pelo poder do “eu”, exclusivo portador de razão e de projeto. Ele gestará o que lhe é conatural: o individualismo como reafirmação suprema do “eu”. Este ganhará corpo no capitalismo, cujo motor é a acumulação privada e individual sem qualquer outra consideração social ou ecológica. Foi uma decisão cultural altamente arriscada a de confiar exclusivamente à razão subjetiva a estruturação de toda a realidade. Isso implicou uma verdadeira ditadura da razão, que recalcou ou destruiu outras formas de exercício da razão, como a razão sensível, simbólica e ética, fundamentais para a vida social.
O ideal que o “eu” irá perseguir irrefreavelmente será um progresso ilimitado no pressuposto inquestionável de que os recursos da Terra são também ilimitados. O infinito do progresso e o infinito dos recursos constituirão o a priori ontológico e o parti pri fundador desta refundação do mundo.
Mas eis que depois de quinhentos anos, nos damos conta de que ambos os infinitos são ilusórios. A Terra é pequena e finita. O progresso tocou nos limites da Terra. Não há como ultrapassá-los. Agora começou o tempo do mundo finito. Não respeitar esta finitude implica tolher a capacidade de reprodução da vida na Terra e com isso pôr em risco a sobrevivência da espécie. Cumpriu-se o tempo histórico do capitalismo. Levá-lo avante custará tanto que acabará por destruir a sociabilidade e o futuro. A persistir nesse intento, se evidenciará o caráter destrutivo da irracionalidade da razão.
O mais grave é que o capitalismo/individualismo introduziu duas lógicas que se conflitam: a dos interesses privados dos “eus” e das empresas e a dos interesses coletivos do “nós” e da sociedade. O capitalismo é, por natureza, antidemocrático. Não é nada cooperativo e é só competitivo.
Teremos alguma saída? Com apenas reformas e regulações, mantendo o sistema, como querem os neokeynesianos à la Stiglitz, Krugman e outros entre nós, não. Temos que mudar se quisermos nos salvar.
Para tal, antes de mais nada, importa construir um novo acordo entre a razão objetiva e a subjetiva. Isso implica ampliar a razão e assim libertá-la do jugo de ser instrumento do poder-dominação. Ela pode ser razão emancipatória. Para o novo acordo, urge resgatar a razão sensível e cordial para se compor com a razão instrumental. Aquela se ancora do cérebro límbico, surgido há mais de duzentos milhões de anos, quando, com os mamíferos, irrompeu o afeto, a paixão, o cuidado, o amor e o mundo dos valores. Ela nos permite fazer uma leitura emocional e valorativa dos dados científicos da razão instrumental. Esta emergiu no cérebro neocortex há apenas 5-7 milhões de anos. A razão sensível nos desperta o reencantamento e o cuidado pela vida e pela mãe-Terra.
Em seguida, se impõe uma nova centralidade: não mais o interesse privado, mas o interesse comum, o respeito aos bens comuns da Humanidade e da Terra destinados a todos. Depois a economia precisa voltar a ser aquilo que é de sua natureza: garantir as condições da vida física, cultural e espiritual de todas as pessoas. Em continuidade, a política deverá se construir sobre uma democracia sem fim, cotidiana e inclusiva de todos os seres humanos para que sejam sujeitos da história e não meros assistentes ou beneficiários. Por fim, um novo mundo não terá rosto humano se não se reger por valores ético-espirituais compartidos, na base da contribuição das muitas culturas, junto com a tradição judaico-cristã.
Todos esses passos possuem muito de utópico. Mas sem a utopia afundaríamos no pântano dos interesses privados e corporativos. Felizmente, por todas as partes repontam ensaios, antecipadores do novo, como a economia solidária, a sustentabilidade e o cuidado vividos como paradigmas de perpetuação e reprodução de tudo o que existe e vive. Não renunciamos ao ancestral anseio da comensalidade: todos comendo e bebendo juntos como irmãos e irmãs na Grande Casa Comum.






Atitudes face à crise atual

Leonardo Boff 


Ninguém face à crise pode ficar indiferente. Urge uma decisão e encontrar uma saída libertadora. É aqui que se encontram várias atitudes para ver qual delas é a mais adequada a fim de evitarmos enganos e desilusões. A primeira é a dos catastrofistas: a fuga para o fundo: estes enfatizam o lado de caos que toda crise encerra. Veem a crise como catástrofe, decomposição e fim da ordem vigente. Para eles a crise é algo anormal que devemos evitar a todo custo. Só aceitam certos ajustes e mudanças dentro da mesma estrutura. Mas o fazem com tantos senões que desfibram qualquer irrupção inovadora.
Contra estes catastrofistas já dizia o bom Papa João XXIII referindo-se à Igreja mas que vale para qualquer campo: “A vida concreta não é uma coleção de antigui­dades. Não se trata de visitar um museu ou uma academia do passado. Vive-se para progredir, embora tirando proveito das experiências do passado, mas para ir sempre mais longe.” 
A crise generalizada não precisa ser uma queda para o abismo. Vale o que escreveu um suíço que muito ama o Brasil, o filósofo e pedagogo Pierre Furter: “Caracterizar a crise como sinal de um colapso universal, é uma maneira sutil e pérfida dos poderosos e dos privilegiados de impedirem, a priori, as mudanças, desvalorizando-as de antemão”. 
A segunda atitude é a dos conservadores: a fuga para trás. Estes se orientam pelo passado, olhando pelo retrovisor. Ao invés de explorar as forças positivas contidas crise atual, fogem para o passado e buscam nas velhas fórmulas soluções para os problemas novos. Por isso são arcaizantes e ineficazes. 
Grande parte das instituições políticas e dos organismos econômicos mundiais como o FMI, o Banco Mundial, a OMC, os G-20 mas também a maioria das Igrejas e das religiões procuram dar solução aos graves problemas mundiais com as mesmas concepções. Favorecem a inércia e freiam soluções inovadores. 
Deixando as coisas como estão fatalmente nos levarão ao fracasso senão a uma crise ecológica e humanitária inimaginável. Como as fórmulas passadas esgotaram sua força de convencimento e de inovação, acabam transformando a crise numa tragédia. 
A terceira atitude é a dos utopistas: fuga para frente. Estes pensam resolver a situação-de-crise fugindo para o futuro Eles se situam dentro do mesmo horizonte que os conservadores apenas numa direção contrária. Por isso, podem facilmente fazer acordos entre si. 
Geralmente são voluntaristas e se esquecem que na história só se fazem as revoluções que se fazem. O último slogan não é um pensamento novo. Os críticos mais audazes podem ser também os mais estéreis. Não raro, a audácia contestatória não passa de evasão do confronto duro com a realidade. 
Circulam atualmente utopias futuristas de todo tipo, muitas de caráter esotérico como as que falam de alinhamento de energias cósmicas que estão afetando nossas mentes. Outros projetam utopias fundadas no sonho de que a biotecnologia e a nanotecnologia poderão resolver todos os problemas e tornar imortal a vida humana. 
Uma quarta atitude é a dos escapistas: fogem para dentro. Estes dão-se conta do obscurecimento do horizonte e do conjunto das convicções funda­mentais. Mas fazem ouvidos moucos ao alarme ecológico e aos gritos dos oprimidos. Evitam o confronto, preferem não saber, não ouvir, não ler e não se questionar. As pessoas já não querem conviver. Preferem a solidão do indivíduo mas geralmente plugado na internet e nas redes sociais. 
Por fim há uma quinta atitude: a dos res-ponsá-veis: enfrentam o aqui e agora. São aqueles que elaboram uma resposta; por isso os chamo de responsáveis. Não temem, nem fogem, nem se omitem, mas assumem o risco de abrir caminhos. Buscam fortalecer as forças positivas contidas na crise e formulam respostas aos problemas. Não rejeitam o passado por ser passado. Aprendem dele com um repositório das grandes expe­riências que não devem ser desperdiçadas sem se eximir de fazer as suas próprias experiências. 
Os responsáveis se definem por um a favor e não simplesmente por um contra.Também não se perdem em polêmicas estéreis. Mas trabalham e se engajam pro­fundamente na realização de um modelo que corresponda às necessidades do tempo, aberto à crítica e à autocrítica, dispostos sempre a aprender. 
O que mais se exige hoje são políticos, líderes, grupos, pessoas que se sintam responsáveis e forcem a passagem do velho ao novo tempo. 







DA FELICIDADE

Quantas vezes a gente, em busca da ventura, Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!
( Mário Quintana)


Trabalhando como livreiros e operários da alma é justo que, um belo dia, se queira acordar com o número do telefone do sindicato na mão e com uma lista de revindicações na outra. A presença da Alma nos mostra genuinamente os caminhos a serem trilhados, e nos ensina a reconhecer a fonte do poder interior de que dispomos (somos força, cura, abundância, ordem, vontade, transformação, fé...).Diante da violência religiosa e do descuido com a orientação espiritual, perguntamos, perplexos: o que está acontecendo? E começamos a procurar novos rumos para nossa alma, de modo que ela possa renovar e projetar uma vida mais solidária, onde exista paz e felicidade. Mas, para alcançar tal objetivo, é preciso trabalhar os valores que regem nosso existir, colocar o amor como base de nossas ações e perceber cada ser humano como um ser integral.
Somos continuamente chamados para o Absoluto, para o Eterno. Há, em nosso ser uma fome, uma sede de algo mais. Esta situação provoca angústia, insatisfação, desejo de buscar este algo mais, este 'SER ÚNICO' que pode preencher o vazio existencial humano. E este vazio existencial humano é o responsável pelas doenças e enfermidades da alma, podendo levar aos piores colapsos emocionais. A alma é por natureza inquieta, autoritária e sagaz, para que haja um equilíbrio emocional é necessário, segundo Timeu, que alma e corpo sejam fortes: “Pelo que se refere à saúde e a enfermidade, às virtudes e aos vícios, nenhuma classe de proporções ou de desproporções é mais importante que a que existe entre a alma e o corpo. Se nessa união entre alma e corpo um dos dois for mais débil que o outro, o humano não pode ser belo na integridade, mas, ao contrário, se ambos são fortes encontramo-nos ante o espetáculo mais belo e mais amável de todos os que o homem pode contemplar.Quando a alma é mais forte que o corpo ela o enfraquece-o e o enche de enfermidades e quando o corpo é superior a alma, cresceu unido a uma inteligência raquítica, gera a pior de todas as enfermidades: a ignorância". (Timeu, 86 b-90 d.) Muitas vezes é necessário seguir o exemplo de Davi "De certo fiz calar e sossegar a minha alma: qual criança desmamada, para com sua mãe, tal é a minha alma para comigo" (Salmo 131: 2). Este sossegar é mais que uma atitude, é metafísico, é um estado de consciência. Neste sentido, a solidão pode ser uma aliada fundamental. A Pedagogia da Solidão, muito mais que um caminho, é ação educacional libertadora da alma, despertando, sensibilizando e conscientizando homens e mulheres para sua real missão no planeta e seu papel na formação das novas gerações. É uma forma de tornar realidade a educação moral do ser, desenvolvendo plenamente suas potencialidades, aqui e agora. Todos nós somos carentes de afeto, temos medo da solidão, de permanecer sem amor, de sofrer. Mas porque será que este medo é tão forte e domina tantas pessoas? Por que motivos temos tanto medo da solidão?
É certo que quanto estamos sozinhos fazemos uma viagem ao nosso interior, aos recantos mais secretos e também obscuros da alma. Nesta viagem, percorremos vários caminhos, diversas estradas, algumas belas e apreciáveis e outros trechos mais difíceis, perigosos, onde é necessária coragem para aventurar-se.
Na solidão existencial do isolamento, profetas de Deus aprenderam a ser dependentes de Deus. Elias, por exemplo, se alimentou do pão e da carne trazidos por um animal considerado "imundo", o corvo, símbolo da morte e da solidão e não por uma águia, símbolo do poder .
É preciso ter coragem para percorrer o desconhecido, que muitas vezes assusta...é preciso ter coragem de compreender porque alguns caminhos estão sujos, são feios, lamacentos, sem luz e brilho.
Assim, essa viagem interior é cheia de emoções, aventuras, tanto felizes como tristes, mas certamente, ao final, ao superar este medo, o caminho de volta torna-se mais claro e, a partir de então, permanecer com nossa alma, em silêncio, será prazeroso.
Penso que ainda estamos distantes da “verdade”; muitos de nós optamos pela mentira… O comum é nos relacionarmos com as representações que criamos dos sujeitos e dos objetos, quando “poderíamos” ter optado pela verdade. Não é assim? É possível que a “verdade” esteja atrás das máscaras…. Os viciados em relacionamentos e os que os evitam costumam atribuir a culpa dos seus insucessos aos outros. As outras pessoas é que são os problemas quando você se coloca no papel da vítima. É mais fácil culpar os outros e atribuir a eles a responsabilidade pelo que lhe acontece. O fato é que apontar culpados e lamentar experiências passadas é apenas mais uma forma de não ser feliz. Se você deseja viver um relacionamento amoroso verdadeiro (por exemplo), precisa buscar a verdade dentro de você. É preciso coragem para olhar para si e reconhecer o que esteve guardando todo esse tempo no seu interior É como fazer uma faxina quando tudo está aparentemente arrumado e limpo. À medida que vai tirando os móveis do lugar, abrindo gavetas, vasculhando armários, parece que tudo se transforma numa grande confusão. As paredes apresentam manchas, rachaduras, o pó se acumula sob os tapetes, tudo fica fora da ordem.Da mesma forma, entrar em contato consigo mesmo(a) costuma trazer uma sensação de confusão e desconforto.
Antes de saber o que fazer - e como fazer - para curar a sua vida, você terá que examinar tudo o que encontrar nessa busca. A busca do seu verdadeiro ser. Se passar por esse processo com aceitação, observando-se sem julgamentos, poderá se dar o primeiro dos presentes que estão por chegar: o acolhimento de quem você é, exatamente da forma como é, sem se negar ou se justificar. Então, já não precisará encontrar alguém que tome para si a tarefa de cuidar de você e de se responsabilizar por sua vida. Compreenderá que a capacidade de satisfazer as suas necessidades se acha dentro de você. A única pessoa que poderá lhe dar tudo aquilo que você deseja é você mesmo(a). Ao estar em contato com os seus sentimentos, sem negá-los, aceitando o próprio medo, a vergonha, a culpa, a insegurança e o que quer que encontre dentro do seu coração, perceberá que tudo à sua volta também está mudando.
Quando chegamos neste ponto podemos passar a Pedagogia das Pequenas Coisas, que nos leva a perceber que são as coisas mais simples e, muitas vezes, as mais banais e rotineiras, desprovidas de um certo glamour, que nos fazem felizes. Não digo que seja tarefa fácil, no final tudo faz parte da nossa caminhada, do nosso aprendizado.


"Aprenda a escutar a voz das coisas,
dos fatos, e verás como tudo fala,
como tudo se comunica contigo
Em cada indelicadeza,
assassino um pouco aqueles que me amam
Em cada desatenção,
não sou nem educado e nem cristão.
Em cada olhar de desprezo,
alguém termina magoado.
Em cada gesto de impaciência,
dou uma bofetada invisível
nos que convivem comigo.
Em cada perdão que eu negue,
vai um pedaço do meu egoísmo.
Em cada ressentimento,
revelo meu amor-próprio ferido.
Em cada palavra áspera que digo,
perdi alguns pontos no céu.
Em cada omissão que pratico,
rasgo uma folha do evangelho.
Em cada esmola que eu nego,
um pobre se afasta mais triste.
Em cada oração que não faço, eu peco.
Em cada juízo maldoso,
meu lado mesquinho se aflora.
Em cada fofoca que faço,
peco contra o silêncio.
Em cada pranto que enxugo,
torno alguém mais feliz!
Em cada ato de fé,
eu canto um hino à vida.
Em cada sorriso que espalho,
planto alguma esperança.
Em cada espinho, que finco,
machuco algum coração.
Em cada espinho que arranco,
alguém beijará minha mão.
Em cada rosa que oferto,
os anjos dizem: Amém!
Somos todos, anjos com uma asa só.
E só podemos voar
quando 'abraçados uns aos outro."
(Roque Schineider)



Não sei em que parte da sua caminhada você está, que descobertas já fez, que caminhos já percorreu ou está percorrendo. Não importa, Deus sempre terá um corvo ou coisa parecida para nos ensinar aquilo que mais a nossa Alma deseja: ser Feliz!


Fonte:
1 Reis 17.1-24
PLATÃO. Diálogos – Mênon, Banquete, Fedro. Rio de Janeiro: Ediouro, 1983.
______ Timeu. Lisboa: Instituto Piaget, 2004.

Por: Maria de Fátima Méres de Morais





FILHOS DA DESILUSÃO ALHEIA



Como reage um filho diante da separação dos pais?
Examinando os prontuários de algumas crianças que foram trazidas a nossa clinica multidisciplinar observamos situações tão diferentes quanto inusitadas.
Um ponto comum, porém, chama atenção: todas foram e são manipuladas pelo pai, ou pela mãe ou por ambos.
Vamos analisar alguns “modelos” encontrados:
a)Pais separados mas não separados
Estranho, não? São casais que para toda a sociedade estão desquitados, divorciados, separados, enfim: não estão mais juntos. Mas, na realidade estão. Convivem no mesmo teto, comem na mesma mesa, discutem contas em conjunto e alguns até dormem juntos no mesmo quarto e na mesma cama (às vezes fazemos sexo, confessa uma senhora). São pessoas que se separam e não conseguem viver uma sem a outra. Mas, na maioria das vezes, um ou os dois já tem um parceiro (conhecido ou não pelo outro) externo.
Esta separação inseparável costuma ter como base: o ciúme, a complacência financeira e de bens, a insegurança em relação a próxima relação. Mas, a grande desculpa, é o temor do sofrimento que o trauma da separação pode provocar nos filhos.
Não raro estas crianças ouvem discussões acaloradas do tipo: “estou aqui por causa de nosso(a)(s) filho(a)(s). Se não fosse por isso já teria ido embora há muito tempo.”
Mentira ou não acabaram de criar uma enorme encrenca na cabeça desta criança ou adolescente. Ele passa a se considerar o responsável pela união e pela desunião. Pela alegria e pela tristeza. Pela saúde e doença.
Como ele reage? Da mesma maneira que você reagiria: insegurança total.
Esta insegurança reflete na escola, no aprendizado, no relacionamento social e afetivo desta criança e adolescente. Alguns se retraíram outros tornaram-se desatentos outros hiperativos ...
b)Pais separados que não moram juntos, que se falam e se entendem bem
Não parece a situação ideal? O casal concluiu a separação e o filho ficou com um deles. Falam-se quando necessário para discutir os temas relacionados a prole. Verdade? Não foi assim que aconteceu para a maioria das crianças deste grupo.
O mais freqüente é que a separação se deu de maneira muito bem elaborada sob os aspectos de sobrevivência do casal, mas que as questões afetivas ficaram para depois. Afetivas, tanto do ponto de vista do casal como dos filhos. Ex-marido e ex-mulher se encontram com relativa freqüência, discutem de maneira civilizada na frente dos demais enquanto trocam farpas e estiletadas por baixo da mesa. Tem muitas crises de recaídas afetivas e sexuais. Afinal, depois da separação ela emagreceu (ou engordou), ele perdeu o barrigão e virou atleta-tanquinho, ambos voltaram a ter amigos, etc.etc. Ambos saem de casa para a diversão (juntos ou separados) quase todos os dias. O que era desinteressante passou a interessar novamente (e às vezes até mais que o novo parceiro, que de tão novo – em todos os sentidos – começou a se tornar antipático). Voltar a morar juntos: não. Nem pensar. Afinal a diversão está garantida.
E na cabeça dos infantes? O que se passou? Minha família acabou! E, acabou mesmo!
Passaram a ter que amadurecer sozinhos ou com empregados ou com idosos. Perderam o nexo familiar e vivem dos sonhos da reaproximação do casal. Vivem mesmo. Passam o tempo vivendo isso no “mundo da lua”. Nos momentos de “traição” do casal (quando ela ou ele sairão com um amigo(a)-namorado(a)-proponente) a criança é usada como joguete do ciúme. Nos momentos em que estão juntos assuntos polêmicos ( e escola é polemica ) não aparecem. Educar? Orientar? Não é o momento. E o momento nunca vem. Para os pais cabe aos professores ensinarem TUDO para a criança, desde comportamento social até matérias escolares. Quando as notas despencam e a reprovação acontece a escola é tida como incompetente e a decisão mais acertada é resolvida: “Vamos juntos procurar ajuda. PARA ELE ! Porque nós pais somos bem resolvidos....”
c)Pais que ameaçam separação e nunca se separam
São os casos que as crianças mostraram maiores problemas de aprendizagem escolar. As crianças tornam-se “petecas” que voam conforme os interesses de cada cônjuge. São agitadas, desatentas, mimadas, mal comportadas e vitimas dos pais. A escola tem obrigação de cuidar deles.
São os casos mais freqüentes de obesidade mórbida e bülling.
d)Separação por traição formal

O pai ou a mãe foram flagrados em traição matrimonial. O cônjuge traído chora, sofre, esconde sob óculos escuros olhos inchados e vermelhos de dor e raiva. É claro que a criança e o adolescente percebem. Eles não são alienados como estes pais acham. O traído reconhece o afeto que o traidor tem pela prole e não quer comprometê-lo. O traído reconhece o afeto que a prole tem pelo pai e não quer magoá-los. Mas, em insana vingança, sabe que sua indisfarçável dor é percebida e, embora não fale mal do ex-parceiro transfere este mal estar de forma indireta. O(a) filho(a) ama o traidor e traz em seu subconsciente o mal estar do traído. A frase mestre ouvida pelos filhos neste modelo de separação é: “não fale da minha mãe (meu pai) porque ela(e) não fala de você !!” Com esta frase a criança e o adolescente manipulado entrega-se de corpo e alma ao traído manipulador e não consegue mais sobreviver sem ele.

O traidor passa a ter função afetiva relativa: basta atender aos mandos e desmandos (geralmente enlouquecidos) do manipulador. O(a) filho(a) torna-se um ser apático, atento aos próprios interesses de diversão e transfere os problemas do mundo para o traído e as culpas para o traidor..
e)O pai (ou a mãe) separou-se e desapareceu
Ou surge esporadicamente. É a criança órfã de pais vivos. Será que ele um dia retornará? Como será nosso reencontro. O que ele vai me dar para se desculpar de todos estes anos que me deixou a deriva com este que me cuida. Quem me cuida vai se casar novamente? Está namorando? Mas, como será quando ele voltar? Ou, como será se um dia ele (ou ela) voltarem para mim?
É importante ter em mente que nem todo filho de pais separados é problema. Nem todo filho de pais separados mostra dificuldade escolar. Mas, quando esta situação aparece a equipe multidisciplinar deve atentar para esta questão e incluir no pacote de atendimento desta criança o atendimento psicoterápico para a criança E TAMBÉM PARA OS PAIS.


Publicado por Dra. Maria Grazia
Ajudaemocional.com



ABDA - Associação Brasileira do Déficit de Atenção

www.tdah.org.br/oque01.php
http://www.tdah.net.br/teste.html
http://www.dda-deficitdeatencao.com.br/artigos/tdah-tratamento-sem-medicacao.html
http://tdahnoadulto.com/sintomas-do-tdah-no-adulto/





O que é o TDAH?
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e freqüentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Ele é chamado às vezes de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção). Em inglês, também é chamado de ADD, ADHD ou de AD/HD.

Existe mesmo o TDAH?
Ele é reconhecido oficialmente por vários países e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em alguns países, como nos Estados Unidos, portadores de TDAH são protegidos pela lei quanto a receberem tratamento diferenciado na escola.
Não existe controvérsia sobre a existência do TDAH?
Não, nenhuma. Existe inclusive um Consenso Internacional publicado pelos mais renomados médicos e psicólogos de todo o mundo a este respeito. Consenso é uma publicação científica realizada após extensos debates entre pesquisadores de todo o mundo, incluindo aqueles que não pertencem a um mesmo grupo ou instituição e não compartilham necessariamente as mesmas idéias sobre todos os aspectos de um transtorno.
Por que algumas pessoas insistem que o TDAH não existe?
Pelas mais variadas razões, desde inocência e falta de formação científica até mesmo má-fé. Alguns chegam a afirmar que “o TDAH não existe”, é uma “invenção” médica ou da indústria farmacêutica, para terem lucros com o tratamento.


No primeiro caso se incluem todos aqueles profissionais que nunca publicaram qualquer pesquisa demonstrando o que eles afirmam categoricamente e não fazem parte de nenhum grupo científico. Quando questionados, falam em “experiência pessoal” ou então relatam casos que somente eles conhecem porque nunca foram publicados em revistas especializadas. Muitos escrevem livros ou têm sítios na Internet, mas nunca apresentaram seus “resultados” em congressos ou publicaram em revistas científicas, para que os demais possam julgar a veracidade do que dizem.
Os segundos são aqueles que pretendem “vender” alguma forma de tratamento diferente daquilo que é atualmente preconizado, alegando que somente eles podem tratar de modo correto.
Tanto os primeiros quanto os segundos afirmam que o tratamento do TDAH com medicamentos causa conseqüências terríveis. Quando a literatura científica é pesquisada, nada daquilo que eles afirmam é encontrado em qualquer pesquisa em qualquer país do mundo. Esta é a principal característica destes indivíduos: apesar de terem uma “aparência” de cientistas ou pesquisadores, jamais publicaram nada que comprovasse o que dizem.
Veja um texto a este respeito e a resposta dos Professores Luis Rohde e Paulo Mattos:
O TDAH é comum?
Ele é o transtorno mais comum em crianças e adolescentes encaminhados para serviços especializados. Ele ocorre em 3 a 5% das crianças, em várias regiões diferentes do mundo em que já foi pesquisado. Em mais da metade dos casos o transtorno acompanha o indivíduo na vida adulta, embora os sintomas de inquietude sejam mais brandos.
Quais são os sintomas de TDAH?

O TDAH se caracteriza por uma combinação de dois tipos de sintomas:

1) Desatenção

2) Hiperatividade-impulsividade

O TDAH na infância em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como "avoadas", "vivendo no mundo da lua" e geralmente "estabanadas" e com "bicho carpinteiro" ou “ligados por um motor” (isto é, não param quietas por muito tempo). Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos. Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como por exemplo, dificuldades com regras e limites.
Em adultos, ocorrem problemas de desatenção para coisas do cotidiano e do trabalho, bem como com a memória (são muito esquecidos). São inquietos (parece que só relaxam dormindo), vivem mudando de uma coisa para outra e também são impulsivos ("colocam os carros na frente dos bois"). Eles têm dificuldade em avaliar seu próprio comportamento e quanto isto afeta os demais à sua volta. São freqüentemente considerados “egoístas”. Eles têm uma grande freqüência de outros problemas associados, tais como o uso de drogas e álcool, ansiedade e depressão.
Quais são as causas do TDAH?
Já existem inúmeros estudos em todo o mundo - inclusive no Brasil - demonstrando que a prevalência do TDAH é semelhante em diferentes regiões, o que indica que o transtorno não é secundário a fatores culturais (as práticas de determinada sociedade, etc.), o modo como os pais educam os filhos ou resultado de conflitos psicológicos.
Estudos científicos mostram que portadores de TDAH têm alterações na região frontal e as suas conexões com o resto do cérebro. A região frontal orbital é uma das mais desenvolvidas no ser humano em comparação com outras espécies animais e é responsável pela inibição do comportamento (isto é, controlar ou inibir comportamentos inadequados), pela capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento.
O que parece estar alterado nesta região cerebral é o funcionamento de um sistema de substâncias químicas chamadas neurotransmissores (principalmente dopamina e noradrenalina), que passam informação entre as células nervosas (neurônios).
Existem causas que foram investigadas para estas alterações nos neurotransmissores da região frontal e suas conexões.
A) Hereditariedade:
Os genes parecem ser responsáveis não pelo transtorno em si, mas por uma predisposição ao TDAH. A participação de genes foi suspeitada, inicialmente, a partir de observações de que nas famílias de portadores de TDAH a presença de parentes também afetados com TDAH era mais freqüente do que nas famílias que não tinham crianças com TDAH. A prevalência da doença entre os parentes das crianças afetadas é cerca de 2 a 10 vezes mais do que na população em geral (isto é chamado de recorrência familial).
Porém, como em qualquer transtorno do comportamento, a maior ocorrência dentro da família pode ser devido a influências ambientais, como se a criança aprendesse a se comportar de um modo "desatento" ou "hiperativo" simplesmente por ver seus pais se comportando desta maneira, o que excluiria o papel de genes. Foi preciso, então, comprovar que a recorrência familial era de fato devida a uma predisposição genética, e não somente ao ambiente. Outros tipos de estudos genéticos foram fundamentais para se ter certeza da participação de genes: os estudos com gêmeos e com adotados. Nos estudos com adotados comparam-se pais biológicos e pais adotivos de crianças afetadas, verificando se há diferença na presença do TDAH entre os dois grupos de pais. Eles mostraram que os pais biológicos têm 3 vezes mais TDAH que os pais adotivos.
Os estudos com gêmeos comparam gêmeos univitelinos e gêmeos fraternos (bivitelinos), quanto a diferentes aspectos do TDAH (presença ou não, tipo, gravidade etc...). Sabendo-se que os gêmeos univitelinos têm 100% de semelhança genética, ao contrário dos fraternos (50% de semelhança genética), se os univitelinos se parecem mais nos sintomas de TDAH do que os fraternos, a única explicação é a participação de componentes genéticos (os pais são iguais, o ambiente é o mesmo, a dieta, etc.). Quanto mais parecidos, ou seja, quanto mais concordam em relação àquelas características, maior é a influência genética para a doença. Realmente, os estudos de gêmeos com TDAH mostraram que os univitelinos são muito mais parecidos (também se diz "concordantes") do que os fraternos, chegando a ter 70% de concordância, o que evidencia uma importante participação de genes na origem do TDAH.
A partir dos dados destes estudos, o próximo passo na pesquisa genética do TDAH foi começar a procurar que genes poderiam ser estes. É importante salientar que no TDAH, como na maioria dos transtornos do comportamento, em geral multifatoriais, nunca devemos falar em determinação genética, mas sim em predisposição ou influência genética. O que acontece nestes transtornos é que a predisposição genética envolve vários genes, e não um único gene (como é a regra para várias de nossas características físicas, também). Provavelmente não existe, ou não se acredita que exista, um único "gene do TDAH". Além disto, genes podem ter diferentes níveis de atividade, alguns podem estar agindo em alguns pacientes de um modo diferente que em outros; eles interagem entre si, somando-se ainda as influências ambientais. Também existe maior incidência de depressão, transtorno bipolar (antigamente denominado Psicose Maníaco-Depressiva) e abuso de álcool e drogas nos familiares de portadores de TDAH.
B) Substâncias ingeridas na gravidez:
Tem-se observado que a nicotina e o álcool quando ingeridos durante a gravidez podem causar alterações em algumas partes do cérebro do bebê, incluindo-se aí a região frontal orbital. Pesquisas indicam que mães alcoolistas têm mais chance de terem filhos com problemas de hiperatividade e desatenção. É importante lembrar que muitos destes estudos somente nos mostram uma associação entre estes fatores, mas não mostram uma relação de causa e efeito.
C) Sofrimento fetal:
Alguns estudos mostram que mulheres que tiveram problemas no parto que acabaram causando sofrimento fetal tinham mais chance de terem filhos com TDAH. A relação de causa não é clara. Talvez mães com TDAH sejam mais descuidadas e assim possam estar mais predispostas a problemas na gravidez e no parto. Ou seja, a carga genética que ela própria tem (e que passa ao filho) é que estaria influenciando a maior presença de problemas no parto.
D) Exposição a chumbo:
Crianças pequenas que sofreram intoxicação por chumbo podem apresentar sintomas semelhantes aos do TDAH. Entretanto, não há nenhuma necessidade de se realizar qualquer exame de sangue para medir o chumbo numa criança com TDAH, já que isto é raro e pode ser facilmente identificado pela história clínica.
E) Problemas Familiares:
Algumas teorias sugeriam que problemas familiares (alto grau de discórdia conjugal, baixa instrução da mãe, famílias com apenas um dos pais, funcionamento familiar caótico e famílias com nível socioeconômico mais baixo) poderiam ser a causa do TDAH nas crianças. Estudos recentes têm refutado esta ideia. As dificuldades familiares podem ser mais conseqüência do que causa do TDAH (na criança e mesmo nos pais).
Problemas familiares podem agravar um quadro de TDAH, mas não causá-lo.

TRATAMENTOS

● TRATAMENTO PSICOLÓGICO

Aliado ao tratamento medicamentoso ou até mesmo o de neurofeedback (que ainda não está cientificamente comprovado) a terapia individual se coloca como uma importante aliada na lida com o TDAH, uma vez que os sintomas secundários ao transtorno, não são minimizados com a medicação. 
A proposta de tratamento, segundo a orientação fenomenológica existencial, não tem o caráter de treinamento de atividades, reforço positivo que a psicologia cognitivo comportamental (o método mais utilizado para tratamento de TDAH) propõe. A forma de abordagem que proponho para lidar 
com a condição de TDAH é trabalhar com as dificuldades específicas de cada indivíduo, principalmente por conta da capacidade criativa que em muitos casos de TDAH se mostram de uma maneira bastante destacada e acaba sendo uma importante aliada do indivíduo e portanto deve ser preservada.
A fenomenologia não tenta enquadrar o ser humano num determinado e esperado modo de vida, treinando-o para fazer determinada coisa sempre da mesma maneira, o que seria para a fenomenologia um estreitamento de possibilidades de ser. Dessa maneira o tratamento não segue uma
orientação pré determinada, mas é sim construído a quatro mãos, onde paciente e terapeuta se unem para traçar o fio que tecerá essa caminhada.

● METILFENIDATO

O metilfenidato é comercializado no Brasil com o nome de Ritalina ou Concerta e consiste num potente inibidor da recaptação da dopamina e da noradrenalina. Bloqueia a captura das catecolaminas pelas terminações das células nervosas pré-ganglionares; impede que sejam removidas do espaço
sináptico. Dessa maneira a dopa e a nora extracelulares permanecem ativas por mais tempo, aumentando significativamente a densidade destes transmissores nas sinapses. O metilfenidato possui potentes efeitos
agonistas sobre os receptores alfa e beta colinérgicos. O medicamento eleva o nível de alerta do sistema nervoso central. Incrementa os mecanismos excitatórios do cérebro e portanto culmina numa melhor concentração, coordenação motora e controle dos impulsos.

● NEUROFEEDBACK

Os portadores de TDAH apresentam uma hipofunção na área pré-frontal do córtex cerebral. 
Quando falamos de funcionamento do cérebro, fazemos referência a descargas elétricas que são a base de transmissão de informação entre os neurônios. Estudos evidenciam que a principal característica neurológica do TDAH é um excesso de ondas de baixa frequência (ondas entas) no córtex frontal, não permitindo a transmissão adequada de impulsos nervosos entre os neurônios. Sendo o córtex pré-frontal o responsável pelas funções de controle voluntário da atenção, planejamento, julgamento, tomada de decisão, autocontrole, e outras, surgem então os sintomas do TDAH. 
O neurofeedback ou neurobiofeedback é um conjunto de procedimentos baseados no processo de reforçamento condicionado, no qual se aprende a controlar a frequência das ondas cerebrais. Esta alteração é muito importante no tratamento dos portadores do TDAH, pois atua sobre a base biológica do transtorno, proporcionando então um efeito duradouro e não apenas momentâneos como os produzidos pelos psicoestimulantes (estimulação química).
No neurofeedback, o paciente é conectado a sensores que medem suas frequências de ondas cerebrais. Estes sinais são decodificados por um computador que apresenta ao cliente os sinais correspondentes às frequências de ondas predominantes. Existem ainda equipamentos mais modernos que funcionam como um videogame, onde o jogador é estimulado, através de reforçamento condicionado, a alterar voluntariamente a frequência de suas ondas cerebrais.O tratamento pode durar de 30 a 60 sessões e durante as descritas sessões o portador de tdah passará por um processo de aprendizagem ou seja de reeducação do cérebro que estava acostumado a trabalhar de uma maneira diferenciada. Dessa maneira o paciente poderá pleitear uma redução da medicação ou até mesmo a extinção do tratamento medicamentoso uma vez que consiga, após o tratamento com neurofeedback, aumentar a frequência das ondas cerebrais aumentando consequentemente a capacidade de focar e sustentar a atenção de maneira voluntária Ao longo das sessões de neurofeedback, normalmente entre 30 a 60, o paciente passa por um processo de aprendizagem, onde ele se torna capaz de aumentar a frequência de suas ondas cerebrais e, deste modo, focar e sustentar sua atenção, de forma voluntária.
O neurofeedback pode ser uma boa opção para aqueles que tem alguma estrição com relação a medicamentos. Outra cateterística bastante positiva desse tipo de tratamento se dá com relação a durabilidade do tratamento, que ao contrário dos medicamentos, se faz de uma maneira duradoura e
sustentada.
Tratamento sem medicação para TDAH: É mesmo possível?
Para se responder se o tratamento sem para medicação para TDAH é mesmo possível, um primeiro aspecto que deve ser analisado é: o TDAH é um problema de base orgânica - ou seja, tem relação com padrões específicos de funcionamento cerebral. Contudo, isto não quer dizer que todas as dificuldades se reduzam a esta base orgânica. Deve-se levar em conta também que a intensidade do problema pode variar - dos casos mais leves até os mais graves. Finalmente, é preciso levar em conta que, uma vez que uma alteração orgânica relevante pode fazer parte do problema, como ela será incluída no plano de tiramento.
Tratamento sem medicação para TDAH: É mesmo possível?
Um bom exemplo relacionado ao TDAH é: uma criança que seja portadora de TDAH com hiperatividade e que, ao mesmo tempo, está acima do peso desde muito cedo, é assediada por seus colegas de sala, sendo chamada de "baleia orca" ou 'Free Willy" e que declara detestar a escola. O TDAH é parte do problema, com certeza. Contudo, é incorreto esperar que o caso será bem atendido apenas baseando o tratamento em medicação psicotrópica para a desatenção ou hiperatividade, como a Ritalina ou Concerta. Este caso é um exemplo no qual um componente não medicamentoso deve ser obrigatoriamente incluído no tratamento.
A medicação com estimulantes, como a Ritalina, é uma das alternativas para as alterações orgânicas. 
Porém esta não é a única alternativa. O Neurofeedback é um tipo de tratamento direcionado a alterar os padrões de funcionamento cerebrais, de forma natural e não invasiva. Ambos os tratamentos tem seus aspectos positivos e outros não tão positivos. A medicação tem efeito rápido, porém o efeito dura apenas o tempo em que a pessoa está medicada - em torno de 4 a 6 horas. Além disso, o tratamento com remédios não tem prazo para terminar. No caso do Neurofeedback, o tratamento é mais longo (pelo menos 6 meses) e os resultados não são imediatos - o lado positivo é que os efeitos são igualmente de longo prazo e se mantém mesmo após o término do tratamento. Veja mais sobre a comparação entre os tratamentos com Neurofeedback e Ritalina. Ou seja, há mais de uma alternativa para tratar o TDAH - não apenas medicamentos estimulantes. O importante entender que os problemas tem causas múltiplas, é começar com um bom diagnóstico diferencial e um plano de tratamento, que leve em conta tanto as necessidades de curto e longo prazo - e a possibilidade de terminar um tratamento sem perder os ganhos adquiridos.


Link para o artigo original: www.dda-deficitdeatencao.com.br/artigos/tdah-tratamento-sem-medicacao.html 

Escrito por Cacilda Amorim, Diretora Clínica do IPDA.





Sintomas do TDAH no adulto

Uma característica marcante do Transtorno do Déficit de Atenção é sua alta taxa de comorbidade, de associação com outras doenças. Em crianças, calcula-se que mais da metade dos casos ocorrem acompanhados de outros transtornos. Em adultos, estima-se que esse índice seja ainda maior. Na infância, as comorbidades mais comuns são os distúrbios de aprendizado, do comportamento, os transtornos ansiosos, transtornos depressivos, e tiques. Em adolescentes, além desses transtornos citados, surge o abuso de drogas.Em adultos são também comuns os transtornos ansiosos, os transtornos depressivos, o abuso de drogas (incluindo o álcool e tranquilizantes , transtornos do apetite e do sono. A depressão bipolar pode estar também associada ao TDAH. Existe um aumento da taxa de acidentes com crianças como fraturas, traumatismos.Confira os 10 sintomas mais comuns em adultos com déficit de atenção:Os critérios diagnósticos convencionalmente utilizados para TDAH, incluindo os sintomas mais comuns, foram desenvolvidos com base na forma como ele aparece nas crianças. Estes sintomas incluem esquecimento excessivo, desatenção, bem como uma incapacidade de se sentar quieto, constantemente se mexendo. 
No adulto, os sintomas do déficit de atenção e hiperatividade se manifestam de maneira diferente, mais sutil. Isto pode tornar mais difícil reconhecer e diagnosticar TDAH adulto.
Sintoma n º 1: Problemas Com a Organização
Para as pessoas com TDAH, o aumento das responsabilidades da idade adulta – trabalho, contas a pagar, e as crianças, para citar alguns – pode dar problemas com a organização mais importantes e mais nocivas do que na infância. Embora alguns sintomas TDAH são mais irritantes para as outras pessoas do que para a pessoa com o problema, a desorganização é frequentemente identificado por adultos com TDAH como um grande aspecto do seu impacto na qualidade de vida.
Sintoma n º 2: Dirigir Carro Distraidamente
TDAH no adulto torna difícil manter a sua atenção em uma tarefa, para passar o tempo ao volante de um carro pode ser difícil. Devido a isto,o TDAH pode tornar algumas pessoas mais susceptíveis a acidentes de trânsito, e até perder a sua licença de motorista, sem falar as multas e pontos na carteira.
Sintoma n º 3: Problemas Conjugais
Muitas pessoas com TDAH têm problemas conjugais, naturalmente, um casamento conturbado não deve ser visto como um sinal de alerta para adultos com TDAH. Mas existem alguns problemas que tornam particularmente susceptíveis as pessoas com TDAH de terem seus relacionamentos atrapalhados. Muitas vezes, os parceiros de pessoas diagnosticadas com TDAH veem o seu cônjuge com dificuldades de escutarem pedidos feitos e até uma incapacidade de honrar compromissos, fica como um sinal de que seu parceiro não se importa. Se você é a pessoa que sofre de TDAH, você pode não entender por que seu parceiro está chateado, e você pode sentir-se culpado por algo que não é sua culpa.
Sintoma n º 4: Distração Extrema
O Déficit de Atenção e hiperatividade é um problema com a regulação da atenção, na forma adulta do TDAH, a pessoa pode ter dificuldade grande em focar, gerando uma distratabilidade muito grande. A distração pode levar a uma história de baixa performance na carreira, especialmente em cargos de alta competitividade. Se você tem TDAH, você pode descobrir que telefonemas ou e-mails, ruídos, qualquer solicitação externa afetam a sua atenção, o que torna difícil para você para terminar de fazer alguma coisa. É comum ver pessoas com déficit de atenção que começam as coisas e nunca terminam
Sintoma n º 5: Dificuldade em Ouvir
Você viaja no pensamento durante as longas reuniões? Será que seu marido esquece de pegar seu filho na escola, mesmo que você ligou para lembrá-lo disto? Problemas com atenção resultar em má compreensão oral, em muitos adultos com TDAH, o que conduz a uma série de mal-entendidos.
Sintoma n º 6: Inquietação
Problemas para Relaxar. Embora muitas crianças com TDAH são “hiperativas”, este sintoma freqüentemente aparece diferentemente TDAH em adultos. Os adultos com TDAH estão mais propensos a apresentar agitação ou achar que não podem relaxar. Se você tem TDAH, outros podem te descrever como uma pessoa nervosa ou tensa.
Sintoma n º 7: Problemas ao Iniciar uma Tarefa
Assim como as crianças com TDAH frequentemente adiam o início da realização da lição de casa, as pessoas com TDAH no adulto frequentemente se arrastam ao iniciar tarefas que exigem muita atenção. Esta procrastinação agrava muitas vezes os problemas já existentes, incluindo desavenças conjugais, problemas trabalho, e problemas com os amigos.
Sintoma n º 8: Atraso Crônico
Existem muitas razões para adultos com déficit de atenção e hiperatividade serem geralmente atrasadas nos compromissos. Primeiro, eles são muitas vezes distraídas no caminho até um evento, talvez percebendo que o carro precisa ser lavado e, em seguida, percebendo que eles estão com pouca gasolina, e antes que eles percebam que já passou uma hora. Pessoas com TDAH também tendem a subestimar o tempo que leva para finalizar uma tarefa, se é uma tarefa importante no trabalho ou uma simples tarefa de casa.
Sintoma n º 9: Ímpetos de Raiva
O TDAH freqüentemente leva a problemas com o controle das emoções. Muitos adultos com TDAH são explosivos com pequenas questões, tem o chamado pavio curto. Muitas vezes, a pessoa com TDAH sente como se eles não têm controle sobre suas emoções. Muitas vezes, a sua raiva aparece mais rapidamente que a capacidade em controlá-la.
Sintoma n º 10: Prioridade nas Coisas
O déficit de atenção pode causar dificuldades no planejamento das ações. As pessoas adultas com TDAH tem dificuldade em priorizar as obrigações mais importantes a cumprir, como o término de um trabalho, enquanto gasta inúmeras horas em algo insignificante, como um vídeo game, conversas intermináveis no telefone com amigos...

Tratamento do TDAH no adulto

O tratamento do TDAH começa com o diagnóstico correto feito por um médico. Existem boas opções de tratamento do TDAH no adulto. As mesmas medicações usadas na criança podem ser usadas no adulto. O tratamento medicamentoso deve ser reservado para os casos nos quais aconteça algum prejuízo, alguma dificuldade na vida do paciente. Considerando que o TDAH pode estar associado a problemas diversos como quadros depressivos, ansiedade, problemas com álcool e drogas, estas condições devem ser tratadas também.

MEDIDAS NÃO FARMACOLÓGICAS
Várias linhas de psicoterapia podem ser indicadas. No caso de adultos casados, com freqüência algumas intervenções necessitam ser realizadas com o cônjuge. No caso de crianças e adolescentes, há programas de orientação e treinamento para pais e professores. Existem propostas muito interessantes de reestruturação do ambiente escolar e doméstico para crianças com Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade. Existem também várias recomendações que podem ser fornecidas ao paciente, de acordo com cada caso em particular, que amenizam suas dificuldades no dia-a-dia (tais como esquecimentos, uso de agenda, foco em uma tarefa, etc). Associação de técnicas Cognitivo
Comportamentais com tratamento medicamentoso tem eficácia comprovada.
TRATAMENTO COM REMÉDIO
Existem muitos profissionais que prestam um GRANDE DES-SERVIÇO à comunidade quando afirmam em meios de comunicação que os medicamentos “entorpecem” os pacientes, os tornam “robotizados”, “zumbis” e que este é um meio artificial de controle da doença. Geralmente são profissionais que não podem receitar medicamentos, é claro. Estão desinformados e provavelmente nunca acompanharam de perto um número suficiente de pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade antes e depois do tratamento farmacológico para observar a enorme diferença na vida destes indivíduos.
Vários remédios podem ser prescritos no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade, havendo evidências mais sólidas de eficácia com os psicoestimulantes Metilfenidato (Ritalina ou Concerta), Pemoline (Cylert), e as Anfetaminas (Dexedrine, Adderall) não são disponíveis no Brasil. Em alguns casos o modafinil (Stavigile) pode ser usado.
Os Psicoestimulantes são a primeira escolha no tratamento de Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade segundo o NIH – National Institute of Health, dos EUA. Existem mais de 170 estudos clínicos, com mais de 6.000 pacientes avaliadas, sendo que 70% respondem com um único estimulante (o que é considerado muito bom). Os psicoestimulantes melhoram não apenas os sintomas típicos de Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (desatenção, impulsividade e hiperatividade), como também aqueles de condições coexistentes (especialmente ansiedade e depressão) além das explosões de raiva e comportamento intempestivo.

EFEITOS COLATERAIS
Os efeitos colaterais com o uso de psicoestimulantes ocorrem em apenas cerca de 4% dos pacientes e são: insônia, diminuição do apetite, dores de estômago e cabeça, dor de cabeça tensional e vertigem. Algumas crianças desenvolvem tiques quando iniciam o uso de estimulantes, mas não se sabe se a medicação causa os tiques ou se ela simplesmente revela uma condição pré-existente (crianças que têm Doença de Tourrette, caracterizada por múltiplos tiques, por exemplo). Existia uma crença de que o uso de estimulantes retardaria o crescimento de crianças e por isso se recomendava os “feriados” (alguns dias ou o final de semana) ou “férias” (meses) terapêuticas. Recentemente estudos mostram que isto NÃO ACONTECE!

OUTROS REMÉDIOS
Antidepressivos podem diminuir a agressividade, melhorando também os sintomas de ansiedade e depressão freqüentemente observados em portadores de Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade. Clonidina (Atensina), um medicamento para tratamento de hipertensão arterial, parece estar associada a resposta favorável em bom número de casos. Neurolépticos, remédios que atuam na dopamina podem ser usados, quando os estimulantes promovem aumento do comportamento motor ou quando existe déficit cognitivo associado (retardo mental).


ATENÇÃO, NÃO SE AUTOMEDIQUE! Consulte um médico para fazer o seu diagnóstico e iniciar o melhor tratamento.Dr Mario Peres médico neurologista 


OS MELHORES ALIMENTOS PARA OS CASOS DE TDAH 

O cérebro consome entre 20% a 25% de toda a energia dos alimentos que ingerimos. A qualidade dos alimentos claramente afeta seu modo de funcionar. 
Estas sugestões não são apenas para uma “Dieta TDAH” – são indicadas para toda a família e também para aqueles que desejam uma performance de excelência – atletas, executivos, estudantes.Esta dieta é recomendada para todos os clientes com TDAH do IPDA – Instituto Paulista de Déficit de Atenção. 
A dieta adequada é um grande coadjuvante de tratamentos psicoterapêuticos, Neurofeedback e psicopedagógicos. Mesmo crianças ou adultos que fazem tratamento exclusivamente medicamentoso beneficiam-se com uma dieta mais adequada a um cérebro que funciona de uma forma muito peculiar.A grosso modo, os alimentos podem ser divididos em dois grandes grupos: aqueles que aumentam o desempenho cerebral e aqueles que deixam o cérebro mais “aéreo”, mais lento. 
Os melhores alimentos para os casos de TDAH – cuja marca orgânica principal é a hipofunção de áreas pré-frontais - são proteínas e carboidratos de digestão lenta.
Carboidratos de digestão rápida são açúcares simples e farinha branca. Quando ingeridos, eles passam rapidamente para a corrente sanguínea, causando um aumento abrupto dos níveis de glicose. Este aumento da glicose sanguínea, por sua vez, leva a um aumento na produção de insulina, que retira o excesso de glicose do sangue, acumulando-a no fígado ou depósitos de gordura. Assim, quando ingerimos carboidratos de digestão rápida sujeitamos nosso cérebro a uma “montanha russa” nos níveis de glicose – o que é incompatível com as necessidades de um cérebro que tem mais dificuldade em manter padrões estáveis de funcionamento. É também importante verificar se há alergia ao leite. 
Estima-se que 30% das crianças tenha alguma forma de restrição ao leite, que pode ser prejudicial especialmente em altas doses.
Café da manhã: Mais proteínas, menos carboidratos. Eliminar cereais com açúcar, sucrilhos e achocolatados. Optar por ovos ou frios (entre 60% a 70% da refeição) e pão integral (carboidratos de digestão lenta, entre 30% a 40%). Verificar se há alergia ao leite.
Outras refeições do dia: Manter um equilíbrio entre proteínas e carboidratos.
Almoço: Evitar alimentos pesados e sobremesas doces. A tendência em sentir sono após o almoço é, em grande parte, decorrente dos processos digestivos. Se você precisa estar atento na parte da tarde, cuide de sua alimentação. 
Shakes: São úteis quando se precisa de uma refeição mais nutritiva, sem os efeitos do excesso de carboidratos e açucares brancos - contém grandes quantidades de proteína
Café: Ingerir com moderação. A cafeína tem efeitos estimulantes, similares aos da Ritalina. Normalmente, a cafeína ajuda a melhorar o foco. É recomendável experimentar pequenas doses (uma ou duas colheres) Atenção: em altas doses, a cafeína é tóxica. 
Água: Beba muita água. O cérebro é composto por 80% de água e tomar entre 1 litro e meio a 2 litros por dia pode ajudar bastante. Não troque água. por refrigerantes ou bebidas gaseificadas / industrializadas. Cuidado com o consumo excessivo de chás, mesmo naturais, pois podem conter outras substâncias, além de cafeína.
Alimentos naturais / não industrializados: ingerir muitas frutas, vegetais e alimentos naturais.Exposição ao alumínio: Evitar inclusive alimentos cozidos em panelas de alumínio.
Link para o artigo original:www.dda-deficitdeatencao.com.br/tdah/alimentacao.html




Tratamento Natural de TDAH - Musicoterapia 


A maioria das crianças que têm o transtorno atenção com hiperatividade ir através da terapia cognitiva e comportamental tradicional para que eles podem reajustar o mundo social em torno deles. No entanto, a terapia comportamental não é o único programa que pode reabilitar crianças com distúrbios comportamentais. Considere dando seu filho Musicoterapia, uma abordagem criativa e popular que usa o poder terapêutico da música para ensinar crianças comportamento apropriado, habilidades mentais e caminhos para a expressão.
Parece um pouco não convencional, mas Musicoterapia é uma profissão de saúde legítimo apoiada por prática e investigação científica. Desde que ele foi primeiramente desenvolvido pela Michigan State University em 1944, musicoterapia ajudou um grande número de indivíduos de superar condições como depressão, ansiedade, estresse pós-traumático e TDAH. As crianças com TDAH e distúrbios semelhantes têm sido capazes de aproveitar suas energias criativas e habilidades para fazer mudanças positivas em seu comportamento e superar seus sintomas. Musicoterapia pode ajudar a definir essas alterações porque ele usa um meio muito eficaz - música. A música é uma linguagem reconhecível, não ameaçador que pode estabelecer um ambiente familiar favorável à aprendizagem, expressão e alterar. Crianças dificilmente esperam para entrar um consultório médico para descobrir que vou estar jogando com música. O médio facilmente capta e sustenta sua curiosidade natural, e eles vão começar a trabalhar na melhoria-se sem estar ciente disto.
Além de fazer as crianças mais abertos e receptivos à terapia, a abordagem propriamente dito pode reabilitar o cérebro. Ambos os hemisférios do cérebro trabalham juntos para processar os estímulos auditivos, e a atividade mental envolvida facilita o funcionamento cognitivo e corrige défices discurso ou idioma. Dependendo do programa, musicoterapia pode mesmo re-train processos receptivo auditivo do seu filho. O componente rítmico da música também dará a criança uma estrutura que organiza a circulação e participação, que irá melhorar o foco, controle de impulsos e coesão de grupo.
Uma das dúvidas que os pais têm sobre Musicoterapia é que eles temem que uma criança só pode beneficiar dele se ele ou ela é musicalmente inclinada. Nada pode ser mais longe da verdade. A maioria das crianças que sucedeu com a ajuda de uma terapeuta de música não pode jogar uma única nota no piano ou levar uma melodia. Além dos benefícios descritos acima, este tipo de terapêutica dá filhos uma avenida para a expressão criativa quando eles têm dificuldade em expressar-se através da linguagem verbal. Como para crianças de TDAH que têm habilidades musicais ocultas, musicoterapia pode trazer estes para fora e incentivar essas crianças a desenvolver seus talentos. Mas escondido talento para a música ou não, cada criança pode beneficiar de musicoterapia.
Musicoterapia para TDAH pode ser feita em sessões individuais com uma terapeuta, ou em pequenos grupos. Em ambos os casos, uma terapeuta de música usará música, instrumentos e outras atividades de música para envolver uma criança de forma estruturada e sistemática. A estrutura do programa é importante cultivar a comportamentos desejados, respostas e objetivos.
Quando Quando isso acontecer, o programa dá a seu filho um ambiente familiar que incentiva a expressão e reação positiva interpessoal. Considere o uso de Musicoterapia para ajudar seu filho a superar TDAH naturalmente.

http://terapia-info.blogspot.com/2011/06/tratamento-natural-de-tdah.html 





Dependência emocional: necessidade ou desejo?


Desde o início da vida, somos dependentes de alguém que nos cuide, nos alimente, nos proteja, papel exercido na maioria das vezes pela mãe ou por alguém que cumpra tal função. Esse momento materno é fundamental para a constituição do sujeito, que necessita dessa transmissão de afetos. Inicialmente, a criança torna-se objeto de desejo da mãe, aquilo que, em certo sentido, a completa. A mãe passa a traduzir afetos e emoções vividos pelo bebê, ou seja, torna-se uma espécie de mediadora entre ele e o mundo externo. Com o tempo, o bebê percebe que não é mais o único objeto de desejo da mãe. A mãe passa a direcionar seus desejos a outras pessoas ou atividades além do bebê, permitindo que a criança possa adquirir independência e fazer suas próprias escolhas. Tal processo de separação e desvinculação com o cuidador é sempre doloroso, mas extremamente necessário.
É essa idéia de completude que nos instiga a buscar um companheiro, um amigo, enfim. Desejamos atenção, carinho e reconhecimento do outro. Assim, podemos reconhecer a dependência como inerente ao ser humano. Nos momentos de fragilidade, de conflitos, é natural que muitos voltem à fase inicial da necessidade de amparo.
O quadro torna-se patológico quando passa ser exagerado, causando sofrimento. Para esse sujeito, sua felicidade e bem estar só serão possíveis a partir do outro. Dependem integralmente da existência e cuidados alheios para que possam lidar com suas próprias questões. Muitos confundem e justificam atitudes e comportamentos de dependência emocional alegando ser amor. Na verdade, essa é uma forma de aceitar e lidar melhor com algo que está ultrapassando os limites do saudável.


É muito delicado falarmos de dependência emocional se levarmos em consideração certos padrões culturais que trazemos enraizados desde que nascemos. Somos instigados a nos relacionar, a fazer amizades, encontrar um parceiro e constituir uma família; acabamos então tendo como meta ter alguém ao nosso lado para sermos felizes. É fato que precisamos do outro, mas até que ponto o precisar se transforma em necessitar, em condição primordial para nossa felicidade? O dependente emocional apresenta um padrão constante de necessidades emocionais insatisfeitas, que se manifestam através de relações de monopólio, tratando o outro como sua posse, seu objeto. É uma relação de tanto desequilíbrio que se metaforiza com a dependência de um usuário de droga, que transpõe e aniquila o outro por absoluto. Infelizmente, tais relações atingem graus tão expressivos que acabam sendo trágicas.
Quem pensa que esse amor fatal só está nos versos poéticos ou em novelas, em filmes ou em obras shakesperianas engana-se. É bom ficar atento, pois uma pessoa com dependência emocional e afetiva quer ter à sua disposição, continuamente, a outra pessoa como se estivesse aprisionado a ela. Terá crises de ciúmes paranóicas, solicitará que seu parceiro renuncie a sua vida privada para que possam ter mais tempo juntos e se colocará numa posição de que a atenção recebida nunca é suficiente. Esta pessoa precisa de ajuda! Ela precisa ser ouvida por um profissional, precisa estar no divã divagando sobre seus fantasmas e seus temores para que possa descobrir novas formas de encarar a vida, com mais autonomia e confiança em si mesmo.


Postado por: rg.piscanálise




MAQUIAVEL PARA MULHERES 


"A Princesa"




Mulheres ... Pensai!!!!!!!!!!!!!

"É no farto manancial dos exemplos vividos e documentados pelos grandes vultos da política antiga que Maquiavel, coerente com o ideal renascentista de revitalização dos valores clássicos, mergulha em busca de padrões a serem seguidos. 
A fusão da memória do passado com a prática do seu presente, sob o crivo de um espírito atilado e a filtragem de uma experiência de política vivida e sofrida, resulta na formulação de conceitos que se sobrepõem ao seu ambiente, ganham generalidade, tornam-se universais.
Há na obra de Maquiavel uma forte presença de valores e conceitos que, embora não sejam eternos, estão imbuídos de uma permanência temporal muito grande.
A obra maquiaveliana pode ser comparada a outras, de natureza diversas que, embora produzidas há muito tempo e em circunstâncias econômicas, sociais, religiosas e políticas muito diferentes das atuais, continuam encantando e desafiando as inteligências e os espíritos. É o caso das peças de Sófocles, da Comédia de Dante, das peças de Shakespeare e de tantas outras obras, em vários setores da ciência, da técnica, da religião, da literatura e das artes.
O mergulho de Maquiavel no oceano do poder político foi tão produtivo que os princípios enunciados tornam-se aplicáveis às mais diversas situações que envolvem a competição pelo direito de mando. Entendemos hoje que os espaços de poder nas diversas sociedades são muito mais intricados do que anteriormente se supunha. a disputa por poder político se desenvolve em todos os nichos da sociedade - família, entidades, empresas ou instituições.
Todo exercício do Poder exige autoridade de quem manda e cumplicidade de quem é mandado. Poder é tensão permanente. É disputa que não cessa. É jogo sem intervalo."
"A princesa nova é muito mais vigiada que uma hereditária, pois as pessoas são mais presas ao presente que ao passado. 
Maquiavel procura demonstrar que, nos Principados hereditários, é suficiente conservar o procedimento dos governos antecessores e contemporizar as novas situações, para se manter o poder. Enquanto que nos conquistados, para que sejam suscetíveis à dominação, não podem ter suas leis e impostos modificados, nem a presença da linhagem da antiga princesa.
Caso se torne senhora de uma cidade habituada a viver livre, ou seja com várias concepções políticas entre seus habitantes e lideranças emergentes, é necessário destruí-la para não ser destruída por ela, porque ela sempre invocará, na rebelião, o nome de sua liberdade e de sua antiga ordem. "...nas republicas há mais vida, mais ódio, mais desejo de vingança." ( * Capitulo V). Um recurso útil, para manter o controle por um principado conquistado, é ir habitá-lo, para tornar-se acessível ao povo em casos amistosos, tornando assim, próximo para ser amada ou odiada, conforme o caso. 
Há dois modos de se governar, para Maquiavel: com necessidade de outrem, auxiliado de ministros, que no governo são apenas servos, que o exercem por graça ou concessão do senhor; ou por si mesmos, por príncipes e princesas, não por favor do senhor e sim por tradição de sangue. 
Uma mulher prudente deve sempre seguir os caminhos abertos por grandes mulheres e espelhar-se nas que forem excelentes, pois mesmo numa imitação falha, há muita coisa para ser aproveitada. 
É melhor que introduzir uma nova ordem e desagradar aos que se beneficiam da antiga correndo o risco de ficar isolada. 
As que, pela virtude, antes se fazem princesas, conquistam com dificuldade, mas com facilidade a conservam, atendendo a máxima de que todos os profetas armados vencem, ao passo que os desarmados fracassam. Contudo, há duas formas de chegar ao poder: Pelo golpe ou pelo apoio do povo. Quem se torna princesa pela vontade popular precisa manter-se amiga do povo, quem obtém de outra forma precisa conquistar-lhes a amizade. 
Maquiavel disse que não convinha o uso de forças de aliados numa guerra, pois se perdesse a guerra estaria abatido pelo inimigo e se vencesse ficaria prisioneiro dos aliados. Segundo ele, seria menos perigoso o uso de tropas mercenárias, ainda que essas, pela sua natureza, apresentassem o perigo da covardia. Em suma, Maquiavel concluiu que seria melhor perder somente com suas tropas que vencer auxiliado por terceiros. "...somente os príncipes e as repúblicas armadas fazem progressos imensos, enquanto que exércitos mercenários trazem apenas danos."





Experienciar Corporal

O corpo na dança tem que passar por um processo de desconstrução, para que possa perder todas as marcas e vícios deixados durante o tempo. Como se fosse um quebra-cabeça em que temos de compreender cada parte e sua função para que possamos usá-las de forma mais correta e sempre respeitando as particularidades de que é dotado cada indivíduo. Da mesma forma deve ser tratado o corpo na educação, respeitando sua dinâmica de desenvolvimento, que por sinal não é a mesma para todas as crianças; respeitando também suas limitações a serem trabalhadas; conhecendo cada membro, cada músculo, cada sentido, assim como também a complexidade da unidade do corpo humano.
A dança se coloca como consequência desses conhecimentos de si que se transmite em formas de expressão. Tal recurso pode ser utilizado pelo professor, não só para descontrair e divertir, mas também para educar o corpo de forma que se obtenha domínio e conseqüências sobre o mesmo. Tais ganhos se acarretarão por toda a vida de forma positiva e em todos os momentos de forma mais apropriada.
Segundo Moreira (2003), existe formas diferenciadas de conhecer o corpo, são elas: corpo objeto manipulável; corpo objeto mecânico; corpo objeto de rendimento; corpo objeto especializado e corpo objeto burro (corpo alienado).
Dentre essas vamos no deter apenas a três formas de conhecer:
- A primeira, corpo objeto mecânico, é caracterizado como algo sem subjetividade; e é até comparado a um relógio por ser tratado da mesma forma. Como, por exemplo, o relógio está com uma peça danificada ou não realizando bem suas funções, então se substitui essa peça. Assim como o corpo, quando temos uma simples dor de cabeça tomamos logo um remédio para solucionar o problema, sem se preocupar com a causa dessa dor.
- A segunda, corpo objeto de rendimento, é um dos que mais se vê na sociedade atual. Ele tem como um de seus principais princípios que “uma pessoas vale o que rende”, então se você não rende também não tem valor. Outro ponto importante para esse tipo de corpo é a constante busca pela perfeição, pois se você não se adequar a esse modelo de perfeição não estará dentro do grupo das pessoas bem sucedidas e felizes. E isso se reflete não só no corpo, mas nas atividades a serem realizadas. E aqueles que não rendem são automaticamente descartados. Como por exemplo, o caso dos idosos que por não terem rentabilidade máxima são excluídos.
- A terceira e ultima, o corpo objeto especializado, é aquele que se especializa em uma função ou conhecimento apenas. Como por exemplo, os médicos especialistas.
Tais concepções de corpo vêm influenciando a prática pedagógica há anos. As crianças antes eram tratadas como seres mecânicos e sem anseios ou privações, o conteúdo restrito era passado de forma passiva e mecânica. Essa educação tinha como objetivo obter um maior rendimento sem a interferência da subjetividade. Como bem podemos perceber no método tradicional, tal prática que ocorre ate os dias de hoje só que de forma mascarada.
A pedagogia postural e corporal tem como objetivo moldar a criança nos padrões de uma postura ereta, rígida e perfeita; para que dessa maneira ele estivesse sempre com o olhar voltado para Deus. Não era admitida outra postura que não fosse essa ensinada desde pequenos em casa e na escola como os professores.
Essa referencia a Deus se dá pelo fato de que a educação antigamente era ministrada em escolas católicas, por serem os padres detentores de conhecimento. Tal conhecimento estava nos livros que tinham um acesso restrito à igreja católica. Nessas escolas as crianças eram sujeitadas a castigos, repressões e maus tratos se não obedecessem ao padrão idealizado.
Na família é da mesma forma reforçada a postura e o trato com o corpo, com castigos e tortura psicológica faziam com que as crianças ficassem oprimidas pelo medo e acabassem obedecendo à vontade da igreja que fala em nome de Deus. Mesmo quando recém nascida à criança era enfaixada de maneira a ficar com a coluna reta. Nem mesmo ao alcançar certa estatura não era permitido que a deixasse engatinhar, por que dessa forma sua postura estaria curvada para Deus. Por conta disso alguns estágios do desenvolvimento da criança não eram vivenciados.

Referências:

LEVIN, Esteban. A infância em cena: constituição do sujeito e desenvolvimento psicomotor. Petrópolis (RJ). Vozes, 1997.

MARZANO-PARISOLI, Maria Michela. Pensar o corpo. Tradução de Lúcia M. Endlich Orth – Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.

MOREIRA, Wagner Wey. Corporeidade e Lazer: a perda do sentimento de culpa. (Disponível em <http://www.ucb.br/Mestradoef/RBCM/11/11%20-%203/c_11_3_13.pdf> Acesso em 11 Abr 2010)

NUNES, Clarice. Dança, terapia e educação: caminhos cruzados. (Disponível em <http://www.terapiadoser.com.br/artigosts/Danca_Terapia_e_Educacao.pdf> Acesso em 11 Abr 2010)








O Caminho como Arquétipo
Leonardo Boff

Tenho especial fascínio por caminhos, especialmente caminhos de roça, que sobem penosamente a montanha e desaparecem na curva da mata. Ou caminhos cobertos de folhas de outono, multicores e em tardes mortiças, pelos quais andava nos meus tempos de estudante, nos Alpes do sul da Alemanha. É que os caminhos estão dentro de nós. E há que se perguntar aos caminhos o porquê das distâncias, porquê, por vezes, são tortuosos, cansativos e difíceis de percorrer. Eles guardam os segredos dos pés dos caminhantes, o peso de sua tristeza, a leveza de sua alegria ao encontrar apessoa amada.
O caminho constitui um dos arquétipos mais ancestrais da psiqué humana. O ser humano guarda a memória de todo o caminho perseguido pelos 13,7 bilhões de anos do processo de evolução. Especialmente guarda a memória de quando nossos antepassados emergiram: o ramo dos vertebrados, a classe dos mamíferos, a ordem dos primatas, a família dos hominidas, o gênero homo, a espécie sapiens/demens atual.
Por causa desta incomensurável memória, o caminho humano apresenta-se tão complexo e, por vezes, indecifrável. No caminho de cada pessoa trabalham sempre milhões e milhões de experiências de caminhos passados e andados por infindáveis gerações. A tarefa de cada um é prolongar este caminho e fazer o seu caminho de tal forma que melhore e aprofunde o caminho recebido, endireite o torto e legue aos futuros caminhantes, um caminho enriquecido com sua pisada.
Sempre o caminho foi e continua sendo uma experiência de rumo que indica a meta e, simultaneamente, ele é o meio pelo qual se alcança a meta. Sem caminho nos sentimos perdidos, interior e exteriormente. Mergulhamos na escuridão e na confusão. Como hoje, a humanidade, sem rumo e num voo cego, sem bússola e estrelas a orientar as noites ameaçadoras.
Cada ser humano é homo viator, é um caminhante pelas estradas da vida. Como diz o poeta cantante indígena argentino Atahulpa Yupanki, “o ser humano é a Terra que caminha”. Não recebemos a existência pronta. Devemos construí-la. E para isso importa rasgar caminho, a partir e para além dos caminhos andados que nos antecederam. Mesmo assim, o nosso caminho pessoal e particular nunca é dado uma vez por todas. Tem que ser construído com criatividade e destemor. Como diz o poeta espanhol António Machado: “caminhante, não há caminho, se faz caminho caminhando”.
Efetivamente, estamos sempre a caminho de nós mesmos. Fundamentalmente, ou nos realizamos ou nos perdemos. Por isso, há basicamente dois caminhos como diz o primeiro salmo da Bíblia: o caminho do justo e o caminho do ímpio, o caminho da luz ou o caminho das trevas, o caminho do egoísmo ou o caminho da solidariedade, o caminho do amor ou o caminho da indiferença, o caminho da paz ou o caminho do conflito. Numa palavra: ou o caminho que leva a um fim bom ou o caminho que leva a um abismo.
Mas prestemos a atenção: a condição humana concreta é sempre a coexistência dos dois caminhos e o entrecruzamento entre eles. No bom caminho se esconde também o mau. No mau, o bom. Ambos atravessam nosso coração. Essa é o nosso drama que pode se transformar em crise e até em tragédia.
Como é difícil separar totalmente o joio do trigo, o bom do mau caminho, somos obrigados fazer uma opção fundamental por um deles: pelo bom embora nos custe renúncias e até nos traga desvantagens; mas pelo menos nos dá a paz da consciência e a percepção de fazermos o certo. E há os que optam pelo caminho do mal: este é mais fácil, não impõe nenhum constrangimento, pois vale tudo contanto que traga vantagens. Mas cobra um preço: a acusação da consciência e os riscos de punições e até da eliminação.
Mas a opção fundamental confere a qualidade ética ao caminho humano. Se optamos pelo bom caminho, não serão pequenos passos equivocados ou tropeços que irão destruir o caminho e seu rumo. O que conta realmente frente à consciência e diante d'Aquele que a todos julga com justiça, é esta opção fundamental.
Por esta razão, a tendência dominante na teologia moral cristã é substituir a linguagem de pecado venial ou mortal por outra mais adequada à unidade do caminho humano: fidelidade ou infidelidade à opção fundamental. Não se há de isolar atos e julga-los desconectados da opção fundamental. Trata-se de captar a atitude básica e o projeto de fundo que se traduz em atos e que unifica a direção da vida. Se esta opta pelo bem, com constância e fidelidade, será ela que conferirá maior ou menor bondade aos atos, não obstante os altos e baixos que sempre ocorrem mas que não chegam a destruir o caminho do bem. Este vive no estado de graça. Mas há também os que optaram pelo caminho do mal. Por certo passarão pela severa clínica de Deus caso acolherem misericórdia de suas maldades.Não há escapatória: temos que escolher que caminho construir e como seguir por ele, sabendo que “viver é perigoso”(G. Rosa). Mas nunca andamos sós. Multidões caminham conosco, solidárias no mesmo destino acompanhadas por Alguém chamado:”Emanuel, Deus conosco”.

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